IBS crítica isenção de imposto a aço importado

O Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) reagiu à redução das alíquotas de importação de aço afirmando que os setores consumidores que defendem a medida registraram "desempenho fantástico" no ano passado e levantando a suspeita de que, na prática, estes segmentos querem ganhar poder de negociação comercial.Para o IBS, a decisão representa uma "mudança de regras", que ocorre num momento em que as siderúrgicas estão investindo ao redor de US$ 12,8 bilhões em modernização e expansão. Segundo o vice-presidente executivo do IBS, Marco Polo de Mello Lopes, os segmentos que pressionaram o governo pela medida tiveram forte desempenho e exportações em 2004, "o que atesta que não tiveram perda de competitividade alguma". "A suspeita que fica no ar é que estes setores, na verdade, não querem efetivamente a importação, mas querem aumentar o poder negocial junto a setor siderúrgico", disse à noite o executivo, sem especificar os nomes dos setores. Mello Lopes também afirmou que estes segmentos já poderiam estar importando via Mercosul ou por um mecanismo chamado draw back (que gera crédito de importação conforme a exportação), mas não fizeram isso. O instituto vai se reunir nesta sexta-feira para analisar os detalhes da medida que serão anunciados pelo governo.O executivo citou que ano passado as siderúrgicas reduziram exportações para atender o mercado doméstico e afirmou que foi feito alarde em cima de aumentos de preços "que não ocorreram por parte do setor siderúrgico". "Os setores consumidores estavam abastecidos a preços competitivos e nós não víamos e não vemos razão para que se dê graciosamente, gratuitamente, uma redução de impostos, quando, na verdade, há vários acordos de negociação no mundo. Estamos dando redução (de impostos) sem nada ter em troca por parte dos concorrentes (de outros países)", afirmou o vice-presidente executivo do IBS.Apesar da redução de impostos, Mello Lopes indicou que os investimentos do setor não estão ameaçados. "Temos muita seriedade diante de nossos compromissos", prosseguiu o executivo, "mas não dá para não comentar que um setor que está investindo US$ 12,8 bilhões o esteja fazendo com o risco de mudança de regras e isso é uma mudança significativa".

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