IBS prepara proposta para proteger mercado do aço

O Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) apresenta, até o fim de maio, nova proposta para proteger o mercado nacional de um possível desvio de produção de aço por conta do protecionismo global ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Sérgo Amaral.Mais flexível, a nova proposta prevê a elevação em doze pontos porcentuais das alíquotas de importação do produto, mas agora com a exceção ou o perdão deste aumento conforme a cota de aço tradicionalmente importada pelo Brasil. Na prática, o novo sistema pretende gravar apenas as importações acima do normal do produto. Os detalhes estão sendo finalizados no instituto.O novo presidente do IBS, José Armando de Figueiredo Campos, que comanda a Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST), acredita que esse sistema será melhor recebido pelo governo, porque ?preserva o fluxo de comércio? do País e dá solução ágil ao risco de o mercado nacional ser inundado pelo aço estrangeiro.Para o IBS, a proposta dispensa a adoção de salvaguardas, já que este processo exige, primeiro, a comprovação de um surto de importação e dano às indústrias locais. Além disso, caso adotasse agora salvaguardas o País estaria usando a mesma medida que contesta no exterior.O aumento em doze pontos é possível, segundo o IBS, porque o Brasil pode aumentar sua alíquota de aço em até 35%, conforme consolidado junto à Organização Mundial de Comércio (OMC). Hoje, as alíquotas de importação do produto variam entre 8% e 16%. Aplicados os doze pontos de aumento, passariam a variar entre 20% e 28%.Mantido o cenário atual, o instituto acredita que as vendas externas deste ano ficarão praticamente estagnadas. Alguns dos principais motivos são as barreiras americanas, o fechamento de outros mercados internacionais, como o europeu, e a queda de exportações para a Argentina. Além disso, a CST vai reduzir a exportação de placas para atender seu novo laminador.Até abril deste ano, o volume de exportações avançou 40%, em grande parte, diz o executivo, porque usinas que estavam paradas para reforma ano passado voltaram a operar, e outras foram inauguradas, e porque contratos foram antecipados, já que as salvaguardas americanas eram esperadas.Apesar dos efeitos negativos a médio e longo prazos do protecionismo americano, a situação deu mais rentabilidade a curto prazo às siderúrgicas nacionais. Afetados pelas restrições impostas à importação de aço e pela parada de produção de algumas siderúrgicas internacionais, os clientes americanos estão pagando mais caro para comprar o produto ? até 15% no caso das placas e 20% nos laminados.Empresas brasileiras estão fechando contratos para o terceiro trimestre entre US$ 210 e US$ 230 a tonelada de placas de aço, ante US$ 190 e US$ 210 do segundo trimestre. ?Há uma grande demanda. As siderúrgicas americanas estão consultando as brasileiras em volumes além do que o Brasil pode exportar para lá (em razão das cotas estabelecidas)?, disse o executivo.Em resposta, as indústrias brasileiras estão recomendando aos clientes americanos a pressionarem seu governo para liberalizar as restrições. ?Trabalhamos em duas frentes. Com nossos advogados e o governo brasileiro e junto aos nossos clientes?, afirmou Figueiredo Campos.O IBS reviu a projeção de crescimento do consumo de aço no País este ano, de 5,7% para 5%. No ano passado, o aumento havia sido de 5,9%. Ainda assim, o consumo deverá avançar perto de 1 milhão de toneladas. A revisão leva em conta uma freada na atividade da construção civil e a ?incerteza e indecisão? quanto ao início de novos investimentos, o que julga ?natural? num período pré-eleitoral. Segundo o presidente do IBS, o avanço da demanda interna deverá minimizar as perdas geradas pelas restrições externas.

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