IBX 50 será lançado em janeiro de 2003

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) lançará em janeiro de 2003 um novo índice para medir o desempenho do mercado, o Índice Brasil 50. A carteira terá 50 ações, com uma metodologia baseada no valor de mercado das empresas (capitalização do free float). Dessa forma, irá se diferenciar do principal indicador do mercado, o Ibovespa, formado pelos papéis com maior volume de negócios. "Há uma demanda dos gestores de fundos por um índice baseado na capitalização, com um número menor de papéis", disse o superintendente executivo de operações da Bovespa, Ricardo Pinto Nogueira.A metodologia do Ibovespa sofre críticas do mercado. Uma delas é exatamente o critério adotado. Uma empresa eleva a participação nesse indicador à medida que cresce o número de negócios fechados na Bolsa. O problema é que muitas vezes o incremento das transações é resultado de problemas enfrentados pelas companhias.Exemplo: Embratel e Net, envolvidas em dívidas elevadas, passaram a negociar mais este ano e ampliaram a participação no Ibovespa. Os investidores decidiram vender os papéis, as cotações caíram, mas esse movimento provocou também o efeito do aumento do número de negócios. No caso do IBX 50 isso não aconteceria, já que a redução do valor de mercado levaria à queda da participação no índice.Índice não terá concentração em telesOutra crítica feita ao Ibovespa é a elevada concentração no setor de telecomunicações - principalmente nesses tempos de um cenário mundial negativo para a área de tecnologia. Atualmente, as teles têm uma participação de 42,4% no Ibovespa. Segundo Nogueira, se já existisse hoje, o IBX 50 teria peso de apenas 19,4% das teles.O grande destaque ficaria por conta do segmento de petróleo, com 24,2%, contra 12,3% atualmente no Ibovespa. Os números são baseados nos testes de simulação feitos pela Bolsa paulista para o lançamento do indicador. "As ações seriam praticamente as mesmas, mas com pesos diferentes", disse Nogueira. Hoje, o Ibovespa é formado por 56 papéis.Petrobrás, Vale e Ambev seriam blue chipsPetrobrás, Vale e AmBev teriam a maior participação no IBX 50, caso o indicador já existisse hoje. A lista das blue chips seria completada por Telemar, Itaú e Bradesco, nesta ordem. No Ibovespa, a Telemar possui o maior peso, seguida pela Petrobrás.Nogueira explicou que as diferenças devem-se às metodologias distintas dos dois índices. Como o IBX 50 levará em conta o valor de mercado, a gigante estatal terá vantagem - no caso do Ibovespa, a Telemar é favorecida por concentrar o maior número de negócios. Já as voláteis Embratel e Net teriam participação de 0,68% e 0,12%, respectivamente, no IBX 50. No Ibovespa, essas companhias detêm fatias de 5,5% e 2,2%. Veja, no link abaixo, matéria analisando a importância que o IBX 50 poderá ter como referência para investimentos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.