Ida de Dilma aos EUA inclui Vale do Silício

Viagem, que começa no fim do mês, terá encontro com mercado financeiro, com presidente Obama e visita à sede do Google

Cláudia Trevisan, correspondente, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2015 | 02h03

WASHINGTON - A viagem da presidente Dilma Rousseff aos Estados Unidos, no fim do mês, começará em Nova York e terminará no Vale do Silício, a meca da inovação mundial. O roteiro da Califórnia prevê uma visita à sede do Google e encontro com CEOs de companhias de tecnologia da informação, biotecnologia e venture capital. A lista dos potenciais participantes inclui Mark Zuckerberg, do Facebook, e Jeff Bezzos, da Amazon, mas até ontem os convites não haviam sido enviados, em razão da indefinição do formato do evento.

Com isso, ainda não se sabe quais dos CEOs poderão atender ao convite da presidente. A ida a San Francisco acontecerá dentro de 12 dias. Mesmo se tratando de um país em que muitas das empresas têm investimentos importantes, não há garantias de que todos os CEOs estarão disponíveis para o encontro. A ideia do governo brasileiro é reunir um grupo de 15 a 20 pesos pesados, em uma reunião ou um almoço.

Também não está claro quem receberá Dilma na Google – se o CEO e cofundador da companhia, Larry Page, ou o presidente executivo, Eric Schmidt. A visita deverá ser acompanhada de executivos do escritório de São Paulo e do centro de Pesquisa & Desenvolvimento da Google em Belo Horizonte. O objetivo é falar de inovação e dos planos da companhia para o Brasil.

A escala na Califórnia foi incluída no roteiro da viagem na semana passada. Além do contato com representantes das empresas, a presidente terá reuniões com reitores de algumas das principais universidades da costa leste americana, como Stanford e Universidade da Califórnia em Berkeley.

Os encontros permitirão que a presidente se familiarize com a cultura da inovação que caracteriza o Vale do Silício – um coquetel que une competição e colaboração entre empresas, interação com universidades, capitalistas dispostos a assumir riscos e valorização de ideias que desafiem o status quo.

Inovação

O Brasil vê no estímulo à inovação uma potencial área de colaboração com os EUA, líder mundial nessa área. A maior parte dos alunos do Ciência sem Fronteiras estuda em universidades americanas. Há três semanas, o ministro da Ciência e Tecnologia, Aldo Rebelo, esteve em Washington para participar de negociações nessa área com representantes do governo Barack Obama. A visita de Dilma aos EUA será o principal símbolo do processo de normalização do relacionamento entre os dois países depois da crise gerada pela revelação de que a Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) espionou comunicações de Dilma, da Petrobrás e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Em protesto, a presidente cancelou a visita de Estado que faria a Washington em outubro de 2013, decisão que congelou grande parte dos contatos de alto nível entre os dois governos e retardou a execução de acordos fechados em 2010. Com atraso de cinco anos, o governo enviou em abril para ratificação do Congresso o Acordo de Cooperação em Defesa assinado durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Antes da visita, deve chegar ao Parlamento outro tratado firmado em 2010, o GSOMIA, que regula a proteção de informações militares sigilosas e abre caminho para cooperação mais estreita entre os dois países nessa área. Os americanos também pressionam o Brasil para enviar ao Congresso o acordo de Céus Abertos, que está em vigor desde 2010, mas perderá a validade em outubro se não for ratificado pelos parlamentares.

A presidente dá início à visita no dia 29, em Nova York, onde se encontrará com representantes do mercado financeiro e CEOs de grandes empresas. Em seguida, ela viaja a Washington, onde será recebida por Obama em um jantar na Casa Branca. Na manhã seguinte, ambos terão uma reunião de trabalho.


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