Idea Global eleva recomendação para títulos brasileiros

O diretor de pesquisa para América Latina da consultoria Idea Global, Ricardo Amorim, elevou a recomendação para os títulos da dívida do Brasil de "marketweight" (peso na média) para "overweight" (peso acima da média). Segundo Amorim, há ainda maior potencial de alta nos preços dos papéis brasileiros no curto prazo. "Com boas perspectivas para as reformas estruturais no curto prazo, além de números bons nas contas fiscais e externas, os títulos brasileiros devem continuar tendo um desempenho acima da média dos outros títulos de países emergentes", explicou Amorim. Ele acredita que os investidores internacionais deverão continuar o movimento de busca por ativos de maior retorno. "Além disso, esperamos que Lula avance nas reformas estruturais, começando pela aprovação da emenda ao artigo 192 da Constituição (que trata da regulamentação do sistema financeiro) numa segunda votação na Câmara, abrindo caminho para a autonomia do Banco Central", disse. O maior risco para esse cenário, segundo ele, é que a inflação permaneça elevada, forçando a manutenção de uma política monetária apertada por um período mais longo do que os eleitores de Lula possam aguentar, afetando assim a popularidade do presidente e o apoio para as reformas. "Contudo, não vemos esse risco se materializando nas próximas semanas", acrescentou. Para financiar a elevação do Brasil na sua carteira recomendada de títulos da dívida, Amorim rebaixou sua recomendação para o Peru (de overweight para markeweight) e da Venezuela (de marketweight para underweight). Em relação a todo o mercado de dívida de emergentes, Amorim disse que a perspectiva continuará favorável nas próximas semanas, embora ele não esteja tão "bullish" (otimista) como estava há duas semanas. "Com a perspectiva do fim da guerra contra o Iraque, os mercados acionários de países desenvolvidos podem começar a ficar mais atrativos, tornando-se um imã para parte dos investimentos que buscam maiores riscos, fato que impulsionou o preço dos títulos de dívida de emergentes", explicou Amorim.No médio prazo, contudo, ele suspeita que fracos indicadores econômicos nos Estados Unidos e Europa vão limitar as perspectivas para os mercados acionários naquelas regiões. "Embora, no curto prazo, o fluxo de capital para os mercados emergentes possa diminuir, não acredita que esse fluxo seja revertido", afirmou Amorim. Além disso, por conta da SARS, como a pneumonia asiática é conhecida, e da diminuição do comércio mundial, Amorim acredita que possa haver uma migração de recursos dentro dos mercados emergentes, saindo da Ásia e migrando para os países latino-americanos.Veja o especial: Veja o índice de notícias sobre a pneumonia atípica

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