Idec alerta sobre pagamento nas compras de Natal

Antes de gastar o 13º salário com os presentes de Natal, é importante ficar atento às formas de pagamento. Para aumentar as vendas, muitos estabelecimentos comerciais oferecem parcelamentos que parecem milagrosos à primeira vista. Contudo, eles podem esconder armadilhas. Além do comércio em geral, os bancos também dispõem de facilidades de pagamento, promessas de juros menores e empréstimos pessoais. No entanto, é melhor pesar prós e contras antes de entrar em um crediário, no limite do cheque especial ou no crédito rotativo do cartão de crédito. O consumidor deve lembrar-se de que todas essas formas de pagamento apresentam taxas de juros reais (juros menos inflação) extremamente elevadas e devem ser evitadas. Na maioria das operações de crédito, os juros mensais chegam a superar a inflação prevista para o ano inteiro. Segundo uma pesquisa do Banco Central de setembro de 2001, os correntistas que usam o cheque especial sempre podem pagar juros médios de 176% ao ano, enquanto a inflação do período deverá girar em torno de 7%. Em qualquer hipótese, o mais vantajoso e seguro é poupar, aplicando os recursos mensalmente até ter o dinheiro suficiente para comprar à vista. Além disso, o consumidor deve ficar atento às principais formas de financiamento e os cuidados a serem tomados em cada uma delas: Pagamentos a prazo ou Crédito Direto ao Consumidor - Os prazos variam conforme o valor do bem financiado e a capacidade de pagamento do comprador. As taxas de juros são fixadas pelas instituições financeiras que operam com o comércio. De acordo com a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), os juros médios em agosto de 2001 eram de 7,96% ao mês, ou 150,7% ao ano. Cartão de Crédito - Esse tipo de financiamento oferece segurança e não requer disponibilidade financeira imediata. Porém, em meio a tantas facilidades oferecidas, o consumidor se vê estimulado a fazer compras desnecessárias. É recomendável que ele fuja do crédito rotativo, que tem juros altos (até 13% ao mês) e pode levá-lo à inadimplência. Outro fator importante: o preço à vista tem de ser o mesmo para pagamento a prazo com cartão. Mais informações sobre cartão de crédito, como a escolha do cartão, as armadilhas das administradoras, a tradução da fatura e os serviços adicionais, podem ser encontradas no site do Idec (veja link abaixo). Cheque Especial - Só é recomendável a utilização em caso de emergência. A taxa de juros é muito alta e chega a ser muito superior à inflação. Em casos de dívida, uma boa opção é liquidá-la por meio de um empréstimo pessoal, que apresenta juros mais baixos. Empréstimo pessoal - É oferecido pelo banco, normalmente com juros pré-fixados, após uma análise do histórico do cliente. Como o risco de inadimplência para a instituição financeira é baixo, o empréstimo pessoal apresenta juros inferiores às taxas do cheque especial e do cartão de crédito. Em setembro, a média de juros cobrados era de 5,28% ao mês, ou 85,4% ao ano. Cheque pré-datado - Uma das modalidades de financiamento mais antigas, basta o preenchimento de uma ficha cadastral e uma rápida consulta para ter o crédito liberado. Apesar de ser muito usado pela população, o Banco Central não reconhece o cheque pré-datado como modalidade de crédito. Porém, já existe jurisprudência que garante sua validade. Além de preferir a compra à vista, o consumidor também deve ficar de olho em outras dicas para fugir de futuras dívidas e dores de cabeça: - Se o financiamento for inevitável, o consumidor deve observar o preço inicial do produto e calcular seu preço final. Ele deve procurar, ainda, a melhor taxa de juros, o menor número de prestações e lembrar-se: quanto mais parcelas, maior a taxa de juros e, conseqüentemente, o preço final do produto. - Algumas lojas fazem falsas ofertas, anunciando vender produtos em até 15 parcelas sem juros. Na verdade, estão embutindo os juros das prestações no pagamento à vista. O estabelecimento comercial tem a obrigação de informar as taxas de juros para o consumidor. Muitas vezes o vendedor usa a tabela fornecida pelas financeiras e informa uma taxa inferior à realmente cobrada, o que é considerado propaganda enganosa pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC). O próprio consumidor deve procurar calcular os juros a partir da tabela do Procon (veja link abaixo). É aconselhável também comparar as taxas cobradas por outras lojas. - A pesquisa de preços antes de ir às compras é essencial. E o consumidor além de não deve ter vergonha de pechinchar. Deve-se ter em mente que no preço anunciado do produto geralmente já está embutido um desconto previsto pela loja. Ele deve lembrar que o maior desconto nem sempre é o melhor quando se leva em consideração o alto valor de um produto. Na hora de fechar negócio, é aconselhável pedir sempre um último desconto, principalmente nas compras à vista. - O consumidor deve ter cuidado com os novos lançamentos. Nem sempre eles possuem diferenças relevantes em relação ao produto vendido no ano passado. Na maioria das vezes, têm a mesma tecnologia e eficiência, mas recebem "maquiagens" estéticas que os tornam mais caros.

Agencia Estado,

18 Dezembro 2001 | 18h11

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