'Idioma é a maior deficiência da hotelaria'

Além de falar segunda e terceira língua quem pretende atuar no setor deve ter postura, espírito de acolhida e ser flexível

O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2013 | 02h24

O presidente da Abih, Enrico Fermi, alerta para a mais conhecida deficiência do setor: "Temos um sério problema com a fluência de uma segunda língua". O consultor e professor de hotelaria e turismo Virgílio Carvalho concorda: "É a maior deficiência para os profissionais da área".

Para ele, além de falar um segundo e terceiro idioma é preciso ter qualificação e entender o funcionamento do setor. "Em 1980, eu dirigi o curso do Senac e era basicamente para barman, recepcionista e camareira. Hoje, são carreiras para formar cozinheiros, profissionais da hotelaria e do turismo, com perspectivas de crescimento", diz.

O gerente de recursos humanos da Accor, Maurício Reis, diz que a organização também se preocupa com a questão do idioma. "O hotel incentiva a procurar os cursos do governo para se especializar e se capacitar." No entanto, ele lembra que as características comportamentais também são bastante exigidas para trabalhar em um hotel. "A postura, comunicação, apresentação pessoal, espírito de acolhida e hospitalidade são avaliados na contratação."

Segundo a coordenadora do curso de tecnologia em hotelaria do Senac, Ana Carolina de Barros, o objetivo dos estudos é preparar um profissional flexível. "Postura e pontualidade são competências fundamentais para atuar nessa área."

Na grade curricular constam disciplinas laboratoriais de cozinha, governança, recepção e sala e bar, gestão de alimentos e bebidas e de hospedagem. "Durante as aulas, o aluno e é tratado como se estivesse no ambiente de trabalho e o estágio no hotel-escola dará vivência para ele, permitindo entender e escolher a área que quer se desenvolver no setor da hotelaria."

Prática. Aluna do terceiro semestre de tecnologia em hotelaria no Senac, Priscilla Charriely Andrade Carracci, de 19anos, é estagiária no setor de alimentos e bebidas do Grande Hotel Campos do Jordão.

Ela diz estar está satisfeita com o curso e mesmo antes de começar a trabalhar como estagiária, já experimentava o dia a dia da profissão nas aulas práticas no hotel-escola.

"Escolhi a profissão porque gosto de estar em contato com pessoas." Priscilla já tem planos para o futuro: quando terminar o tecnólogo quer fazer um curso de capacitação para cozinha e concorrer as vagas de trainee dentro do setor.

Além do idioma, a alta rotatividade também incomoda a associação. Segundo opresidente da ABIH, o fato ocorre em decorrência dos turnos de trabalho. "O profissional que atuar nessa área precisa ter jogo de cintura e dedicação", acrescenta.

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