IED forte em junho é pontual, avalia Tendências

O forte resultado do Investimento Estrangeiro Direto (IED), que atingiu US$ 5,822 bilhões em junho, contra US$ 3,716 bilhões em maio, não deve se repetir nos próximos meses de 2012. A avaliação foi feita pelo analista Bruno Lavieri, da Tendências Consultoria Integrada, em entrevista à Agência Estado. "Acho que o montante não se sustenta, inclusive nos meses anteriores o dado ficou mais próximo de US$ 4 bilhões, de US$ 4,500 bilhões", disse.

MARIA REGINA SILVA, Agencia Estado

24 de julho de 2012 | 14h32

O IED de US$ 5,822 bilhões no sexto mês de 2012 surpreendeu o analista, que esperava uma entrada de US$ 4,000 bilhões. Já o Banco Central (BC) previa US$ 4,800 bilhões para o IED em junho. "Provavelmente alguma empresa ou investidor fez algum aporte no final do mês, mas acreditamos que o movimento é pontual", afirmou.

O ingresso de investimento estrangeiro no País em junho ficou dentro do intervalo das estimativas dos analistas do mercado consultados pelo AE Projeções, que ia de US$ 4,000 bilhões a US$ 6,500 bilhões, mas ficou acima da mediana de US$ 5,450 bilhões. De acordo com a consultoria, o IED deve retornar a níveis mais contidos e terminar o ano em US$ 55,0 bilhões, abaixo dos US$ 66,7 bilhões de 2011.

Já o déficit em transações correntes, de US$ 4,419 bilhões em junho, foi maior do que o previsto pela Tendências, de US$ 4,100 bilhões. Neste caso, a pesquisa do serviço especializado da Agência Estado apontava um número negativo de US$ 3,000 bilhões a US$ 6,800 bilhões, com mediana de US$ 4,500 bilhões de déficit.

Lavieri disse que a maior surpresa se deu no montante das remessas de lucros e dividendos, que ficou em US$ 1,500 bilhão em junho, frente a uma estimativa de US$ 1,000 bilhão. "É um resultado modesto dada a época do ano em que normalmente as filiais enviam seus lucros às matrizes no exterior. O enfraquecimento desta conta está relacionado, nos últimos meses, à desvalorização do câmbio e ao desempenho mais modesto da economia doméstica", avaliou.

Quanto à redução dos gastos dos brasileiros no exterior, o analista acredita que não deve piorar significativamente nos próximos meses, mas ficar em US$ 15 bilhões no fechamento de 2012, número semelhante ao do ano passado, de US$ 14,700 bilhões. "Devem ser influenciados pelo consumo doméstico, que não está tão fraco assim, apesar da desaceleração da atividade. O resultado deve ser muito mais puxado por isso do que por outros fatores, como câmbio. A expectativa é moderadamente positiva", afirmou. De acordo com o BC, o déficit com viagens internacionais atingiu US$ 1,22 bilhão em junho, enquanto os gastos dos brasileiros lá fora ficaram em US$ 1,683 bilhão.

Por outro lado, Lavieri avaliou que o fraco desempenho da balança comercial no mês, de superávit de US$ 807 milhões, que ajudou a elevar o déficit nas transações correntes, deve continuar baixo nos meses seguintes. Além disso, acredita que as remessas também não deverão ser tão altas em julho, enquanto os gastos com viagens internacionais poderão subir um pouco, em razão das férias escolares de julho.

O analista lembrou que a balança comercial vem sofrendo reflexos não somente da crise internacional, mas também em razão da greve dos auditores fiscais, o que deve fazer com que a Tendências reduza a projeção de superávit comercial de 2012 para perto de US$ 18 bilhões, contra estimativa atual de US$ 21,500 bilhões.

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