Iedi: bens industriais têm déficit comercial em 2007

O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) chamou a atenção, em estudo, para o déficit comercial dos bens industriais 2007. Saiu de superávit de US$ 5,9 bilhões em 2006 para um saldo negativo de US$ 7,8 bilhões em 2007, uma mudança sem paralelo nos últimos dez anos.O setor já não vinha bem em 2006, quando o saldo passou de US$ 9,9 bilhões para US$ 5,9 bilhões. Isso significa, segundo o Iedi, que, somando-se o comportamento dos dois últimos anos, a reversão total dos bens industriais soma US$ 17,7 bilhões. "Essa rápida e forte transição de expressivo superávit para elevado déficit mostra um retorno ao ano 2000, ou seja, período anterior à segunda rodada de fortes desvalorizações cambiais (desvalorizações de 2001/2002, sendo que a primeira rodada foi em 1999). "Assim, o que levou seis anos para ser construído - a passagem de déficit comercial de US$ 8,7 bilhões em 2000 para saldo de US$ 5,9 bilhões em 2006, uma reversão de US$ 14,6 bilhões, praticamente foi anulado em apenas um ano, 2007", diz o Iedi.Prevalecendo por mais algum tempo, argumenta o estudo, o atual modelo de comércio exterior e o maior crescimento econômico interno, logo se chegará ao padrão dos anos de aguda restrição externa do período pré-desvalorização cambial de 1999 nos quais o déficit em manufaturas chegou a alcançar US$ 16,5 bilhões.O Instituto reclama que, qualquer que seja o prognóstico dos efeitos da crise da economia mundial sobre o comércio em volume e preços de commodities, jogar todas as fichas em uma única cartada (básicos) não é recomendável, pois isso significaria uma especialização, contrária à característica de diversidade da economia brasileira, onde tem lugar o setor de manufaturados. "Mas é para esta (especialização) que estaremos caminhando se não forem rapidamente revistas as políticas que influenciam o comércio exterior de bens industriais, como as políticas de câmbio, tributação de exportações, políticas industriais, tecnológicas e para a área de infra-estrutura e acordos internacionais", conclui o Iedi.

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