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Iedi diz que produção industrial menor é reflexo de juros altos

O diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), Júlio Sérgio Gomes de Almeida, avaliou que a queda de 0,4% da produção industrial em outubro, em comparação com setembro, representa uma desaceleração do nível de atividade e reflete o "aperto" da política monetária iniciado pelo Banco Central (BC) há três meses. "Não foi à toa que entre outubro e setembro a fabricação de bens de capital caiu 1,3%, eliminando os efeitos sazonais", comentou.Em setembro, o BC elevou os juros anuais de 16% para 16,25%. No mês seguinte, o Comitê de Política Monetária (Copom) promoveu novo aumento e a taxa subiu para 16,75%. Na reunião ocorrida em novembro, o Copom decidiu por outra alta e os juros atingiram os atuais 17,25%.Para o diretor do IEDI, a decisão do BC de sancionar tais altas dos juros não foram necessárias, dado que o País não sofre riscos de inflação de demanda. "A renda dos trabalhadores está instável, o que implica em consumo controlado", comentou. Em outubro, o rendimento médio real dos ocupados caiu 1,2% na comparação com setembro, de acordo com a Pesquisa Mensal do Emprego apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.Impacto dos juros altosSegundo Almeida, a economia não está tão aquecida quanto imagina a cúpula do BC porque há setores com capacidade instalada ociosa, como o de eletroeletrônicos, vestuário, calçados, alimentos e automóveis. Na avaliação do diretor do Iedi, o mercado de trabalho melhorou neste ano, mas os avanços ainda não atingiram segmentos marcados pela informalidade. "Então, a economia vive dificuldades para gerar oferta de produtos. Os juros altos só agravam este problema, pois inibem com intensidade os investimentos dos empresários", comentou.Na avaliação de Almeida, a atual onda de elevação de juros pelo BC vai reduzir o crescimento em 2005 de um patamar de 5% para uma taxa próxima a 3,5%. Para muitos analistas, com Luis Fernando Lopes, economista-chefe do Banco Pátria de Negócios, o Copom deverá elevar a taxa de 17,25% para 17,75% na reunião da próxima semana. "E essa política monetária dura só vai desacelerar ainda mais a produção industrial e diminuir a expansão do País para níveis menores do que precisamos", comentou o diretor do Iedi.

Agencia Estado,

09 de dezembro de 2004 | 16h41

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