Iedi: grau de investimento terá efeito no médio prazo

A indústria também comemora a elevação do Brasil para grau de investimento. O ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Julio Sergio Gomes de Almeida, avalia que, para a indústria em particular, a elevação da nota de risco de crédito (rating), concedida hoje ao Brasil pela agência Standard & Poor''s, significa uma melhora muito importante nas condições das empresas, porque alarga sua base de financiamento.A elevação, disse, vai facilitar a colocação de títulos de empresas no exterior e deve incentivar mais ofertas públicas iniciais (IPOs, na sigla em inglês) de ações no mercado local. O economista avalia, porém, que esses efeitos benéficos não devem acontecer no curto prazo. Isso porque as condições externas de liquidez podem sofrer com a turbulência internacional.De qualquer forma, como a expectativa de crescimento econômico é "factível" e como os recursos nacionais de financiamento são finitos, as empresas brasileiras precisarão contar no futuro com mais fontes e melhores condições de crédito. "Não podemos esquecer que a elevação veio um ano depois do ensaio de crescimento sustentável, que se materializou com o crescimento de 5,4%", afirmou o economista.Almeida destacou que o grau de investimento é o coroamento de um processo de múltiplas faces, iniciado com o controle da inflação e seguido pelo controle fiscal. Outro fator que contribuiu para o desfecho positivo do processo é a internacionalização das empresas brasileiras, que antes do País já haviam obtido o grau de investimento. "Não apenas o acesso aos investimentos vai crescer, mas também o investimento estrangeiro direto deve aumentar de forma expressiva", ressaltou.O consultor do Iedi aproveitou para alfinetar os juros altos. "O Brasil é agora reconhecido como um par dos países top de elite. Mas nossos juros são de quarto mundo. Agora a situação exige que nos adaptemos a essa nova circunstância."

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