Iedi: rendimento mostra que expansão não é 'bolha'

A massa real de rendimentos nas seis principais regiões metropolitanas do País cresceu 20,4% entre 2004 e 2007, jogando por terra as suspeitas de que o crescimento do mercado doméstico no Brasil é apenas uma "bolha". Mais que isso, o mercado interno consolidado ajudará o País a enfrentar a atual crise internacional, avalia o consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Julio Sérgio Gomes de Almeida. "Esse aumento da renda formou um mercado interno de porte", disse.O economista disse que é possível que a massa tenha crescido acima de 20% desde 2004, já que a pesquisa mensal de emprego do IBGE, sobre a qual foi feito o cálculo do Iedi, não engloba locais fora das áreas metropolitanas nem aumentos de renda resultantes de programas como o Bolsa Família.Almeida explica que o aumento da massa real de rendimentos ampliou o poder de compra da população e permitiu o acesso ao crédito. "Diante disso, o crescimento do mercado interno não é uma bolha, mas reflete um processo iniciado há quatro anos", afirmou.DinâmicaEm relatório, o Iedi observa que "indubitavelmente o Brasil vem vivenciando uma muito dinâmica evolução da base de renda da população. Isso, por seu turno, está por trás da forte expansão do mercado interno consumidor que no atual contexto da economia brasileira vem comandando o crescimento econômico".Segundo o relatório, "a maior massa de renda é relevante em si, pois significa uma ampliação do poder de compra da população que diretamente influi na performance de setores como o de alimentos. Ademais, abre maior espaço para que a população tenha acesso ao crédito, o que sustenta o consumo de outra ampla gama de produtos e setores da economia, como os bens duráveis."EmpregoGomes de Almeida avalia que os dados relativos ao mês de dezembro e ao fechamento do ano de 2007 divulgados ontem pelo IBGE mostram que o emprego chegou ao final do ano passado "muito melhor do que começou" e a expectativa é que, pelo menos no primeiro semestre de 2008, o quadro permaneça favorável no mercado de trabalho.Para ele, um efeito mais forte da crise internacional sobre o Brasil só acontecerá, se ocorrer, no segundo semestre. "Tendo a achar que a crise será relativamente restrita à redução do crescimento americano, que nos fará sofrer um pouco no setor externo, mas com a força do mercado interno vamos conseguir manter o bom crescimento", disse.

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