IGP-10 acelera de 0,45% para 1,12% em setembro

Pressionado pelos produtos agropecuários, índice quase triplicou de agosto para setembro, o que deve elevar os índices gerais de preços

Alessandra Saraiva / RIO, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2010 | 00h00

A inflação medida pelo Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) quase triplicou entre agosto e setembro, acelerando de 0,46% para 1,12%, impulsionada por produtos agropecuários mais caros no atacado. O coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, prevê que os aumentos de preços agroindustriais vão elevar os Índices Gerais de Preços (IGPs) em setembro.

Segundo ele, porém, isso não deve conduzir a um efeito "devastador" nos índices inflacionários ao longo deste ano. "Mesmo com essa pressão agrícola, poderemos ter um IPCA para este ano em torno de 5% em 2010", avaliou, referindo-se ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor - Amplo, calculado pelo IBGE e usado como referência para a meta inflacionária do governo.

Quadros admitiu que ocorre, no momento, repasse dos aumentos de preços agrícolas atacadistas para o varejo. Mas, lembrou que houve quedas sucessivas de preços ao consumidor antes de setembro. "Acho que isso vai elevar a inflação para o varejo este ano; mas esta elevação agora não elimina os meses em deflação pelo qual o varejo passou, antes de setembro."

O cenário é bem similar ao que foi mostrado em dois outros indicadores calculados pela FGV, como o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) de agosto e a primeira prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de setembro. Assim como foi observado nesses outros indicadores, a inflação do minério de ferro, em alta por causa de recentes aumentos da Vale, desacelerou (de 13,72% para 5,35%) de agosto para setembro. Ao mesmo tempo, houve elevações de preços expressivas em produtos importantes no cálculo da inflação atacadista.

Para o economista da fundação, os preços agropecuários estão sendo influenciados por vários fatores. "Temos problemas de entressafra que geralmente ocorrem no segundo semestre, afetando a demanda interna; e problemas de quebra de safra no exterior, como a do trigo na Rússia, que acaba diminuindo também a oferta doméstica. Além disso, a demanda para as exportações de carnes está se recuperando depois da crise", comentou.

O repasse de aumentos do atacado para o varejo levou ao fim a deflação de preços ao consumidor, que durou três meses. No IGP-10 de setembro, os preços varejistas subiram 0,11%, após caírem 0,31% em agosto. Na análise do economista da fundação, André Braz, há um potencial muito grande de novas elevações de preços no setor de alimentação. Já os preços na construção civil desaceleraram (de 0,35% para 0,13%), e ajudaram a segurar, em parte, o avanço do IGP-10.

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