IGP-10 confirma previsões e desacelera em setembro

O Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) desacelerou em setembro, confirmando que os efeitos da quebra da safra de grãos, como soja e milho, sobre os preços, começam a se dissipar. Nos próximos meses, porém, o foco de pressões inflacionárias se deslocará para o varejo, que só agora começa a repassar ao consumidor as altas registradas pelo atacado nos meses anteriores.

MARIANA DURÃO / RIO , O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2012 | 03h06

O índice da Fundação Getúlio Vargas (FGV) subiu 1,05% após avançar 1,59% em agosto, dentro do esperado pelo mercado. Os preços no atacado e na construção perderam impulso, mas a inflação ao consumidor quase dobrou, para 0,42%. Em 12 meses, a alta no IGP-10 (7,95%) é a maior desde agosto de 2011.

"O efeito da seca americana se suavizou. O choque está arrefecendo, mas deixando herdeiros", alertou o coordenador do Índice Geral de Preços, Salomão Quadros. Neste mês, a alta da soja em grão foi bem menor, de 5,46%, ante 15,62% em agosto. No caso do milho, a taxa desabou de 22,17% para 5,68%.

Em relatório, o departamento econômico do Banco Fator destacou a deflação do minério de ferro (-4,01%), que se vem repetindo pelo recuo na demanda chinesa. Mas o texto aponta que os preços do produto tendem a cair menos como reflexo do recém-anunciado pacote de investimentos em infraestrutura na China.

O choque de oferta agrícola, contudo, continuará provocando pressões em razão do aumento de custos como ração animal, feita de milho, ao produtor de carnes. O preço do suíno vivo, por exemplo, disparou 21,49%.

Paralelamente, estão em curso altas de preços que até agora ficaram encobertas pelos estragos causados pela soja e o milho. É o caso do arroz, que está na entressafra, e do trigo, afetado por problemas climáticos na Rússia.

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