IGP-10 recua para 0,49% de dezembro para janeiro

Alimentos mais baratos no atacado derrubaram a inflação medida pelo Índice Geral de Preços -10 (IGP-10), que recuou de 1,27% para 0,49% de dezembro para janeiro. Mas o indicador não melhorou o humor do mercado financeiro, que aguarda uma alta dos juros esta semana, na primeira reunião do Conselho de Política Monetária (Copom) no ano. Analistas alertam que o primeiro trimestre deve contar com aumento de preços no atacado e no varejo.

Alessandra Saraiva, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2011 | 00h00

Além de um novo reajuste no preço do minério de ferro, que deve ajudar a elevar a inflação atacadista, o consumidor vai sentir em janeiro o impacto dos aumentos nas tarifas de ônibus e mensalidades escolares, além de alimentos in natura mais caros.

De dezembro para janeiro, a inflação no atacado desacelerou de 1,46% para 0,35%. Segundo o economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), André Braz, que divulgou ontem o indicador, a perda de força da inflação agropecuária atacadista (de 3,39% para 0,60%) contribuiu para a taxa menor do IGP-10.

Entre os destaques, estão o retorno à deflação nos preços da pecuária (de 4,21% para -0,69%), e o comportamento de lavouras temporárias, como algodão, soja, batata, cujos preços subiram menos (de 3,31% para 0,5%) no atacado. Os alimentos também ficaram mais baratos junto ao consumidor e reduziram o ritmo da inflação varejista, no mesmo período (de 1,05% para 0,90%).

Mas a inflação acumulada em 12 meses medida pelo IGP-10 até janeiro foi de 11,49%, a mais forte desde novembro de 2008, neste tipo de comparação (11,99%). Braz comentou que, na margem, ao analisar o comportamento da trajetória da família dos Índices Gerais de Preços (IGPs), é possível notar uma leve aceleração.

Na sequência de divulgações de resultados fechados dos IGPs, o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) de dezembro subiu menos do que o IGP-10, com alta de 0,38%. "Temos uma aceleração na margem, na família dos IGPs. Não acho que a aceleração destes indicadores será tão forte, este ano, como no ano passado", afirmou Braz.

Chuvas. O impacto na inflação do varejo por causa das chuvas no Rio de Janeiro, que prejudicam lavouras, não preocupa, segundo Braz. "Podemos dizer que, dentro do atacado, o impacto será mínimo; e dentro do varejo, o impacto será pequeno."

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