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IGP-10 tem maior alta em três anos

Disparada nos preços agrícolas provocou aumento de 1,47% no índice em setembro ante 0,64% em agosto

Alessandra Saraiva, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2018 | 00h00

Pressionada pela disparada nos preços dos produtos agropecuários no atacado, a inflação medida pelo Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) teve em setembro a maior elevação em mais de três anos, com alta de 1,47%, ante aumento de 0,64% em agosto. Em junho de 2004, o índice havia chegado a 1,50%. O resultado deste mês ficou acima da expectativa do mercado financeiro, que esperava, no máximo, 1,45%.Mas, para a Fundação Getúlio Vargas (FGV), que anunciou ontem o indicador, a aceleração de preços não deve continuar e o IGP-10 deve registrar taxa menor em outubro. ''''É provável que a alta dos preços dos produtos agropecuários já tenha atingido sua intensidade máxima'''', disse o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros.No IGP-10 de setembro (calculado com base nos preços registrados de 11 de agosto a 10 de setembro), a inflação no atacado subiu 2,06% - mais que o dobro da de agosto (0,83%) e a maior desde fevereiro de 2003. Isso porque a elevação nos preços dos produtos agropecuários passou de 2,64% para 6,04% de agosto para setembro. Foi o aumento mais forte em quase cinco anos.No setor agropecuário, Quadros chamou atenção para os preços dos comercializáveis, composto quase que inteiramente por commodities, e cuja elevação passou de 1,66% para 9,45%, de agosto para setembro. Para o economista, esse cenário foi causado por vários fatores , como o período de entressafra, que diminuiu a oferta de itens no mercado interno, e fortes demandas interna e externa por produtos agropecuários específicos. Isso provocou altas consideráveis no setor atacadista, como aconteceu com o milho (15,70%), a soja (10,13%) e o trigo (12,57%).Essa movimentação de preços atingiu também o setor industrial. No segmento de alimentos processados a alta passou de 1,88% para 3,33% de agosto para setembro. ''''Com isso, a elevação nos preços dos produtos industriais no atacado passou de 0,25% para 0,75%, no mesmo período. Não é pouca coisa'''', afirmou o economista.Segundo Quadros, os últimos resultados dos indicadores de inflação pesquisados pela instituição mostram que há, sim, uma pressão de demanda, ''''mas não é tão tenebrosa quanto parece''''. Para ele, o repasse da alta nos produtos agropecuários do atacado para o varejo não está ocorrendo com a velocidade e com a magnitude temida pelo mercado. ''''O repasse está se dando de forma muito lenta, muito gradativa.''''ALIMENTOSNo varejo, o IGP-10 acelerou 0,35% em setembro ante 0,37% em agosto, mas os preços dos alimentos subiram menos (de 1,22% para 0,61%). Na construção civil também houve aumento mais intenso de preços (de 0,29% para 0,32%) no período.O bom comportamento dos preços dos alimentos no varejo também foi registrado pelo Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S), que desacelerou, de 0,49% para 0,32%, entre a primeira e a segunda semana de setembro. No período, a alta nos preços dos alimentos passou de 1,09% para 0,46%.

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