IGP-DI de janeiro fica em 2,17%

A inflação medida pelo Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGP-DI) caiu para 2,17% em janeiro, ante 2,70% em dezembro, confirmando a tendência de queda dos preços, especialmente no atacado. Os reajustes nos combustíveis, nos ônibus urbanos e nas mensalidades escolares levou a alta nos preços no varejo a superar os reajustes no atacado pela primeira vez desde março do ano passado.Para o economista Salomão Quadros, responsável da Fundação Getúlio Vargas (FGV) pela divulgação do índice, os resultados da inflação de janeiro reforçam a tese de que haverá "queda suave e moderada" dos preços. Ele acredita que os próximos IGPs a serem divulgados pela Fundação, pelo menos até março, possam ficar abaixo de 2%.A queda nos preços deverá permanecer mais intensa no atacado, que já começa a refletir a desaceleração na alta dos preços de commodities agrícolas por causa do início da safra. O Índice de Preços por Atacado (IPA) do IGP-DI registrou variação de 2,21% em janeiro ante 3,14% em dezembro, com forte desaceleração do item alimentação, que passou de alta de 4,26% em dezembro para 2,06% em janeiro.Segundo Quadros, essa redução no ritmo de reajustes foi provocada mais pelo início da safra do que pelo recuo do dólar no período de coleta (mês civil de janeiro) em relação a meses anteriores. Ele explicou que a tendência é que os preços no atacado prossigam em queda pelo menos até maio, influenciados pela safra agrícola. As maiores influências de queda no atacado foram registradas na soja (-8,98%), no óleo refinado (-4,78%), no milho (-5,51%) e no trigo (-2,49%).O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), por outro lado, deve permanecer mais elevado do que o IPA nos próximos IGPs e registrar uma desaceleração "ainda mais suave" dos preços. Em janeiro o IPC-DI registrou alta de 2,32%, ante 1,94% em dezembro. No varejo, entre as maiores altas registradas estão a gasolina (9,88%) e o gás de botijão (4,88%).O ônibus urbano também pressionou o índice, com aumento de 5,98%, assim como o item educação (3,72%). Salomão destacou que todos esses reajustes são "pontuais" e portanto é possível prever desaceleração dos reajustes ao consumidor já a partir deste mês.Quadros disse que os resultados do núcleo de inflação do IPC-DI de janeiro reforçam a projeção de que haverá um novo ciclo de queda nos índices inflacionários pelo menos até março. O núcleo, que elimina as 20% maiores e menores altas no varejo, registrou elevação de 1,32%, ante 1,39% em dezembro, e esteve descolado em um ponto porcentual do IPC-DI. "O núcleo confirma que a alta do índice ao consumidor em janeiro foi provocada por aumentos transitórios de preços, que devem ser passageiros", disse Quadros.Ele explicou que é possível prever o recuo da inflação medida pelos IGPs pela conjunção entre o dólar volátil mas sem fortes elevações, e a safra agrícola. Mas ressaltou que as previsões podem mudar caso ocorram fatores novos graves, como alta do dólar em conseqüência de uma guerra no Iraque.IPC-SA FGV também divulgou hoje o resultado do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), que teve alta de 2,16%, ante 2,18% na semana anterior. A coleta de preços ocorreu nos últimos 30 dias até 7 de fevereiro.Os maiores aumentos no IPC-S foram registrados na gasolina (9,18%), ônibus urbano (8,15%), educação (3,53%) e álcool combustível (7,9%). Os produtos alimentícios tiveram aumento de 2,56%, ante 2,93% no índice anterior. Por outro lado, a alta dos transportes passou de 4,98% para 5,75%.Quadros disse que a tendência da inflação medida pelo IPC-S é de queda, mas em ritmo "ainda mais suave" do que o previsto para os IGPs. O argumento é que a tendência de queda de preços no atacado está mais acelerada do que no varejo.O IPC-S foi divulgado pela primeira vez há uma semana. A coleta de preços é feita em 12 capitais do Brasil e considera famílias com renda de um a 33 salários mínimos.

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