IGP-DI de setembro fecha em 2,64%

Os impactos da alta do dólar estão mais intensos e generalizados nos preços do atacado, segundo revelou hoje a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Disponibilidade Interna (IGP-DI) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A variação do índice atingiu 2,64% em setembro, ante 2,36% em agosto. Mais que o aumento, os dados mostraram que os reajustes estão ganhando mais fôlego e estão cada vez mais próximos do consumidor final, segundo analisou o economista Salomão Quadros, responsável pelo indicador.O Índice de Preços do Atacado (IPA) subiu de 3,32% em agosto para 3,84% em setembro, com alta significativa do item alimentação, que passou de 3,26% para 5,23%. Os principais aumentos ocorreram na soja (12,93%), café em côco (24,59%) e no trigo (11,28%), todos influenciados pelo dólar. Outro produto sob impacto da moeda que pela primeira vez apareceu entre os destaques de aumento foi a margarina (13,25%).Segundo Quadros, os aumentos no IPA de setembro mostram que "os preços no atacado estão mais sensíveis à taxa de câmbio, os produtos que estão subindo estão cada vez mais ligados ao dólar". O dólar médio de setembro foi de R$ 3,36, superior 8,15% à média de R$ 3,11 de agosto, segundo a FGV.No varejo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) desacelerou a alta de 0,76% para 0,66%, sendo que a alimentação reduziu o aumento de 1,86% para 1,51%. Mas Quadros alerta que essa desaceleração promete ser "apenas uma pausa". O argumento é que há "uma série de novos produtos de alimentação subindo no atacado e com potencial de repasse para o varejo".Nem mesmo o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) ficou livre do impacto do dólar e, apesar de ter desacelerado a alta de 1% em agosto para 0,71% em setembro, já que não houve dissídios de mão-de-obra, teve os materiais e serviços com aumento de 1,39% por causa da desvalorização do real. O IGP-DI acumula no ano variação de 11,60% e em 12 meses, de 14,28%.FôlegoO núcleo do IPC-DI de setembro, de 0,67%, revela que está ocorrendo um "alastramento" nos reajustes de preços e, mais que isso, que essa "generalização da inflação significa que ela está com mais fôlego e mais difícil de reverter do que se estivesse sendo provocada por fatores isolados", segundo Quadros. O núcleo elimina as variações extremas de preços, com o objetivo de expurgar os aumentos ou quedas que não refletem com fidelidade o movimento da inflação.Em setembro, o núcleo aproximou-se muito do IPC-DI, que atingiu 0,65%. Essa proximidade é que confirma a generalização dos aumentos. Além disso, como ressaltou Quadros, o núcleo também mudou de patamar desde o mês passado. No período do início do ano até agosto, o núcleo situou-se sempre entre 0,40% e 0,50%. Desde o mês passado (0,65%) subiu para o patamar de 0,60%. "É uma indicação de que a inflação está realmente mais alta", disse Quadros.

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