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IGP-DI perde função e pode ser extinto

Se renegociação das dívidas estaduais com o governo federal prosperar, analistas avaliam que indicador terá perdido principal razão para existir

DANIELA AMORIM / RIO , O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2012 | 03h07

As negociações entre o governo federal e os secretários estaduais de Fazenda para mudar o indexador para a dívida dos Estados e municípios pode levar o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) a perder sua função primordial. O indicador, medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), é usado como cálculo para a correção das dívidas dos Estados e municípios.

A FGV tem ainda outros dois IGPs: o Índice Geral de Preços 10 (IGP-10) - que não é indexador de preços e, pela divulgação feita ontem pela FGV, subiu 0,70% em abril, depois da alta de 0,27% em março - e o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), que, em tese, baliza o reajuste de aluguéis.

A metodologia é a mesma, o que muda é o período de coleta. O IGP-M tem ainda duas prévias no mês, que dão uma ideia da movimentação dos preços antes da taxa fechada do mês.

O excesso de indicadores para medir a evolução dos preços na economia é herança da época em que o País vivia hiperinflação. Agora, o temor de uma escalada de preços fica mais distante e especialistas questionam a profusão de índices.

"O IGP-M se chama Índice Geral de Preços - Mercado exatamente porque, na época, algumas empresas demandavam que se fizessem prévias. A inflação mudava tanto e tão rapidamente que não se podia esperar o índice fechado no fim do mês para fazer os reajustes", explicou Flavio Combat, economista-chefe da Concórdia Corretora.

Hoje, o IGP-M é usado como base para a correção de contratos de fornecimento de energia elétrica, mas é mais popular por orientar os reajustes de contratos de aluguel. No entanto, também vem perdendo importância, uma vez que o avanço nos preços do mercado imobiliário tem levado a reajustes muito acima da taxa acumulada em 12 meses, seguindo a regra básica da oferta e da procura.

A FGV tem ainda indicadores que medem a evolução da inflação para o consumidor, para as famílias de baixa renda, para a terceira idade, no atacado, e na construção. "Na época da hiperinflação, essa variedade de indicadores poderia ser necessária. Mas, se acontecer mesmo de o IGP-DI ser substituído como indexador da dívida dos Estados e municípios, poderia ser extinto", avalia Daniel Lima, analista da Rosenberg & Associados.

Apesar da grande quantidade de indicadores medidos pela FGV, o governo usa o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), como indicador para a inflação oficial.

"De fato há uma profusão (de índices). Quando você compara as economias que têm uma estabilidade de preços, vê que a gente trabalha com um conjunto muito grande de indicadores", observa Combat.

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