IGP-DI pode fechar o ano em 7%

Índice atinge 1,05% em novembro, puxado pelos preços agropecuários; milho avança quase 15% no mês

Alessandra Saraiva, O Estadao de S.Paulo

06 de dezembro de 2007 | 00h00

Com a disparada dos preços agropecuários no segundo semestre, a inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) pode encerrar 2007 com alta de 7%, quase o dobro do apurado no ano passado (3,79%). A forte elevação de preços no setor também puxou para cima a taxa mensal do índice, que subiu 1,05% em novembro - acima das estimativas do mercado financeiro e superior à taxa de outubro (0,75%).Embora não seja mais usada para reajustar a tarifa de telefone, a taxa acumulada do IGP-DI ainda é usada como indexadora das dívidas dos Estados com a União. Até novembro, o IGP-DI acumula elevações de 6,32% no ano e de 6,6% em 12 meses. "Com essa taxa já acumulada, fechar o ano em 6,5% é muito difícil. O IGP-DI mensal de dezembro teria de subir apenas 0,17%. Não acho que tenha espaço para um recuo dessa magnitude entre novembro e dezembro", disse o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros. Para que a taxa anual fique em 7% em 2007, o resultado de dezembro precisaria ficar em torno de 0,65%.Em novembro, houve um "choque de demanda" do setor agropecuário, principalmente no setor atacadista - cujos preços subiram 1,45% em novembro, ante alta de 1,02% em outubro. Vários produtos ficaram mais caros por causa de uma procura intensa, em um cenário de oferta reduzida. Um dos destaques foi a disparada no preço do milho (de 2,69% para 14,85%), de outubro para novembro. Esse produto tem tido forte demanda, sobretudo no mercado internacional, pelo uso no setor de combustíveis, para produzir etanol.Além disso, outro fator foi preponderante para a inflação alta em novembro: o comportamento dos preços dos bovinos no atacado. A elevação passou de 1,73% para 10,45%, de outubro para novembro. Esse nível foi o maior desde novembro de 2002, quando os preços dos bovinos subiram 10,59%. A construção civil foi o único setor, entre os três pesquisados, a apresentar desaceleração de preços (de 0,51% para 0,36%), graças à perda de força no preço do cimento (de 7,09% para 2,79%).

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