IGP-DI tem a maior alta em três anos

A inflação medida pelo Índice Geral dePreços Disponibilidade Interna (IGP-DI) subiu para 2,36% em agosto, o maior aumento registrado desde novembro de 1999, pressionada especialmente pelo câmbio e a entressafra de produtos alimentícios.Em julho a variação havia sido de 2,05%. Os dadosdivulgados hoje pela Fundação Getúlio Vargas (FGV)revelaram que as pressões foram maiores no atacado do que no varejo. "O nosso referencial agora já não é mais 2000, mas 99, um ano de desvalorização cambial e crise", disse o coordenador de análise econômica da fundação, Salomão Quadros.O Índice de Preços do Atacado (IPA) subiu para 3,32%, ante 2,82% em julho. A principal influência foi dada pelos bovinos, com aumento de 10,86%. Segundo Quadros, essa elevação esteve relacionada ao atraso na chegada do frio, que levou os produtores a manter por mais tempo os bois se alimentando no pasto, adiando o abate e pressionando os preços.Mas outros produtos que apresentaram forte impacto no atacado estiveram sob influência do câmbio, como é o caso da soja (10,85%), o óleo de soja refinado (14,33%), o trigo (17,27%), a farinha de trigo (21,05%) e adubos e fertilizantes (7,81%). O arroz em casca (11,57%) foi influenciado pela entressafra e as aves (9,65%) acompanharam a alta dos bovinos,como resultado especialmente do aumento da demanda. No caso do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), aprincipal influência para a alta de 0,76% no mês foi dada pelos produtos alimentícios (1,86%). Foram repassadas para o consumidor as altas ocorridas no atacado no trigo (com aumentode 10,23% no pão francês, por exemplo) e na soja (o óleo de soja aumentou 7,06%). Destaque de alta no varejo no mês, o pão francês começou a acentuar o repasse, para os consumidores, daalta do trigo no atacado. Segundo Quadros, o trigo já subiu 73,55% neste ano e o pão, 15,69%, o que mostra que ainda há margem para repasse. "Mas é claro que essa elevação no atacado não chega integralmente ao varejo e não é possível saber quanto ainda serárepassado", disse.A redução na variação do IPC no IGP-DI de julho (1,03%) para agosto (0,76%) ocorreu devido ao menor impacto dos preços administrados sobre o índice, segundo disse Quadros. Segundo ele, tomando como base as 15 maiores influências sobre os preços ao consumidor no mês, a contribuição dos produtos administrados recuou de 0,75 ponto porcentual em julho para 0,20 ponto porcentual em agosto. A participação dos preços livres,entretanto, foi ampliada de 0,23 ponto porcentual (julho) para 0,38 ponto porcentual (agosto). O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acentuou a alta de 0,29% em julho para 1% em agosto, como resultado dos reajustes ocorridos em materiais e serviços (1,31%) e na mão-de-obra (0,69%).O IGP-DI é calculado entre o primeiro e o último dia do mês e mede os preços que afetam diretamente a atividade econômica do País, excluída as exportações.

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