IGP-DI tem maior alta em cinco anos

Para a FGV, resultado de maio, de alta de 1,88%, foi um pico influenciado por fatores que não se repetirão

Alessandra Saraiva, O Estadao de S.Paulo

10 de junho de 2008 | 00h00

Pressionada por elevações de preços no atacado, no varejo e na construção civil, a inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) atingiu em maio a maior taxa em mais de cinco anos, de 1,88%, ante 1,12% em abril. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), foi a taxa mais elevada para um mês de maio desde o Plano Real, em 1994. O resultado surpreendeu o mercado financeiro, que projetava, no máximo, 1,8%. A FGV acredita que o resultado tenha sido apenas um "pico", influenciado por fatores sazonais que não devem se repetir este mês. A origem viria especialmente do setor atacadista. Ou seja, é esperado um recuo em junho.O índice acumulado em 12 meses até maio já atinge 12,14%, o maior em mais de três anos. Embora não seja mais usado para reajustar a tarifa de telefone, o IGP-DI ainda indexa as dívidas dos Estados com a União."Com a entrada de taxas mensais maiores na série histórica do IGP-DI, a taxa acumulada em 12 meses deve aumentar", afirmou o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros. Ele não descartou a hipótese de o resultado acumulado atingir 13% em junho.Assim como nos três meses anteriores, a elevação de preços mais intensa no atacado (de 1,30% para 2,22%) foi a principal responsável pelo avanço. Em maio, a inflação do atacado foi fortemente pressionada por aumentos nos preços das matérias-primas, principalmente em arroz em casca (15,98%) e minério de ferro (11,38%). Outro fator que contribuiu para alta foi a disparada no preço do óleo diesel (de 0,67% para 7,19%).O varejo também pressionou, com 0,87% em maio, ante 0,72% em abril, em razão da forte elevação de preços da alimentação (de 1,69% para 2,33%). A batata inglesa foi destaque: de queda de 0,37% em abril para alta de 18,87%, em maio.Embora de menor peso no IGP-DI, em comparação com a evolução de preços no atacado e no varejo, a inflação na construção civil surpreendeu em maio, com alta de 2,02%, mais que o dobro da de abril (0,87%) e a mais intensa em três anos. "Os preços da construção civil subiram 1,77% em maio, a mais forte alta desde outubro de 2004", disse Quadros. O núcleo do IGP-DI em maio, usado para avaliar a tendência e calculado a partir da exclusão das variações mais expressivas no varejo, subiu 0,44%. Foi o mais elevado desde maio de 2005 (0,73%). "Significa que, no varejo, está havendo repasse e as elevações apresentam um certo grau de disseminação."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.