IGP-M acelera em agosto e tem alta de 1,43%

Em julho, indicador usado para o reajuste do aluguel teve avanço de 1,34%; alta acumulada em 12 meses é de 7,72%

WLADIMIR DANDRADE , LUIZ GUILHERME GERBELLI, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2012 | 03h08

O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) subiu 1,43% em agosto, depois de avançar 1,34% em julho, divulgou ontem a Fundação Getúlio Vargas (FGV). A taxa anunciada ficou dentro do intervalo previsto nas estimativas do mercado financeiro consultado pelo 'AE Projeções', que ia de 1,31% a 1,61%, com mediana em 1,45%. Até agosto, o IGP-M, índice bastante usado para reajuste de contratos de aluguel, acumula altas de 6,07% no ano e de 7,72% nos últimos 12 meses.

O IGP-M ganhou fôlego nos últimos meses. Nos 12 meses encerrados em julho, a alta foi de 6,67%. Em junho, a variação anual foi de 5,14% e em maio de 4,26%. O aumento apurado para o indicador vai pesar no bolso de quem paga aluguel. Segundo especialistas, a alta do IGP-M deverá ser repassada integralmente para os contratos de renovação. Serão poucos os casos em que o aumento ficará abaixo do indicador.

"Em alguns casos raros há possibilidade de negociação, mas não é em grande número. Costuma ser nos casos em que o inquilino é absolutamente pontual ou cuida muito bem do imóvel. Nessas situações, o inquilino pode forçar uma negociação e o proprietário normalmente aceita. Ninguém quer perder um bom pagador", diz José Augusto Viana Neto, presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), de São Paulo.

Essa alta frequente do IGP-M cria, de acordo com ele, uma mentalidade inflacionária no proprietário, sobretudo quando o contrato completa 30 meses e é aberta a possibilidade de negociação entre proprietário e inquilino. "A nossa última pesquisa mostra que 60% das novas locações são resultantes de imóveis devolvidos por pessoas que não tiveram condições de pagar o aluguel pretendido pelo proprietário", diz Viana Neto. "Esses inquilinos deixam os imóveis e vão para a periferia, onde o aluguel costuma ser mais barato."

Novo aluguel. Apesar da alta do IGP-M, pode ser compensador optar pela renovação do contrato. A demanda aquecida e a baixa oferta de imóveis, sobretudo em São Paulo, têm feito com que o preço anunciado para aluguel avance num ritmo superior ao do IGP-M. Em São Paulo, segundo dados da Fipe/Zap, entre janeiro e julho, o preço do aluguel anunciado subiu 7%; no Rio 7,7%.

"Na média, o aluguel anunciado está subindo mais do que o reajuste. Dessa forma, o proprietário dificilmente vai negociar se ele consegue um inquilino novo para pagar um valor que ele pretende cobrar", diz Eduardo Zylberstajn, pesquisador da Fipe.

A mesma tendência é verificada pelo Secovi-SP. Segundo dados da entidade, nos últimos 12 meses, o preço do aluguel novo aumentou 12%.

"Se a pessoa sai para procurar outro imóvel pode não achar porque a oferta é escassa ou porque encontra com o preço mais elevado do que teria de reajuste", diz Roberto Akazawa, gerente do Departamento de Economia e Estatística do Secovi-SP. Para ele, a tendência é de estabilização do IGP-M, em torno de 7% ao longo de 12 meses.

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