IGP-M acelera na segunda prévia de setembro

Alta de 1,03% foi causada pelo aumento dos preços agrícolas do atacado,[br]que afetou todos os índices gerais de preços

Alessandra Saraiva / RIO, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2010 | 00h00

A segunda prévia do Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) acelerou em setembro, com alta de 1,03%, quase o dobro da taxa de 0,55% apurada em igual prévia do mesmo indicador em agosto. Assim como ocorreu com os outros índices gerais de preços já anunciados este mês, a prévia foi pressionada por uma onda de acelerações de preços agropecuários no atacado, que ainda não atingiu o auge e deve prosseguir até outubro.

Com esse cenário, o IGP-M, que é usado para reajustar preços de aluguel, deve fechar o mês acima da taxa de agosto, de 0,77%. Na prática, a alta nos preços agropecuários fez disparar a inflação no atacado, que representa 60% do IGP-M e saltou de 0,89% para 1,45% da segunda prévia de agosto para igual prévia em setembro.

De acordo com o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, a pressão agroindustrial respondeu por cerca de 90% da inflação atacadista na segunda prévia de setembro. "Acho que temos muitos produtos no setor agropecuário em ascensão de preços", avaliou.

Os exemplos de elevação de preços ou de deflação mais fraca estão espalhados em diferentes segmentos no setor agropecuário atacadista. Entre os destaques, estão as variações nos preços de trigo (de 0,25% para 7,02%); bovinos (de 2,00% para 4,66%); milho (de 0,01% para 12,25%); e algodão em caroço (de -2,28% para 33,30%).

Todos os produtos estão passando por um período de menor oferta, por problemas de entressafra ou de quebra de safra no mercado internacional - como é o caso do trigo.

Quadros observa que, além disso, a queda nos preços dos alimentos in natura no atacado começou a arrefecer (de -5,74% para -1,75%) da segunda prévia de agosto para igual prévia em setembro. O consumidor já sente os efeitos dos aumentos agropecuários no atacado. Assim como ocorreu no Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) deste mês, anunciado na semana passada, na segunda prévia de setembro o período de três meses de deflação no varejo também terminou, e os preços ao consumidor subiram 0,24%, após caírem 0,28% na segunda prévia de agosto.

Isso porque o repasse dos aumentos de preços agrícolas atacadistas para o varejo já ocorre em ritmo rápido. O cenário levou ao fim as quedas de preços em massas e farinhas (de -0,35% para 1,04%) e em óleos e gorduras (de -0,44% para 1,39%). "Isso tende a continuar", diz Quadros.

Já a inflação na construção civil desacelerou (de 0,27% para 0,14%) da segunda prévia de agosto para a segunda prévia de setembro, e ajudou a conter, em parte, o avanço do IGP-M.

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