IGP-M chega a 1,09%, maior alta em quase 5 anos

Com a disparada nos preços dos produtos agropecuários no segundo semestre, a inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) deve encerrar o ano com alta acima de 7%. Usado para reajustar preços de aluguel e de energia elétrica, o IGP-M já acumula elevação de 7,05% no ano.A primeira prévia do índice de dezembro, anunciada ontem pela Fundação Getúlio Vargas, veio bem salgada, com avanço de 1,09%, a mais forte em quase cinco anos, superando as projeções do mercado financeiro (que iam até 0,98%) e bem acima da primeira prévia de novembro (0,34%).O coordenador de Análises Conjunturais da FGV, Salomão Quadros, explicou que uma taxa acima de 7% já é uma certeza, praticamente. "Para se ter uma taxa abaixo da taxa já acumulada, de 7,05%, é preciso que a segunda prévia de dezembro, ou que o fechamento do índice, venha em deflação. E isso não é provável", afirmou, acrescentando que os preços dos produtos agropecuários devem continuar acelerando em dezembro, puxando para cima o resultado do indicador.Os alimentos mais caros impactaram principalmente a inflação no setor atacadista, um dos três setores pesquisados para apuração do índice, e o de maior peso no cálculo (60%). A taxa de elevação de preços no atacado passou de 0,48% para 1,49% da primeira prévia do IGP-M de novembro para igual prévia em dezembro. Essa também foi a mais intensa elevação de preços, no setor, desde janeiro de 2003. "As acelerações de preços em milho (de 2,22% para 13,83%) e em bovinos (de 2,98% para 8,86%) foram os destaques absolutos no atacado", disse o economista. MilhoO preço do milho tem subido paulatinamente há meses. Esse produto tem contado com oferta reduzida no mercado interno há algum tempo, o que puxou para cima os preços. "O milho tem sido fortemente demandado, tanto no mercado interno quanto no mercado externo. E é uma demanda que só tende a crescer", afirmou.No caso dos bovinos, ele lembrou que o setor passa por período de entressafra, ou seja: quando diminui a quantidade de abates de cabeças de gado. Isso reduz a oferta do produto. Preços mais intensos no setor agropecuário atacadista começam a ser sentidos pelo consumidor. O varejista já iniciou o repasse desses aumentos de preços no atacado. Na passagem da primeira prévia de novembro para igual prévia em dezembro, a deflação no varejo chegou ao fim (de -0,16% para 0,41%), visto que a queda nos preços dos alimentos também terminou (de -0,80% para 0,95%), no mesmo período."O repasse já está acontecendo", afirmou Quadros, que espera por novas acelerações de preços, no âmbito dos preços ao consumidor. "Essas altas de preços no atacado tendem a continuar. E, em algum momento, esses aumentos serão repassados para o varejo."

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