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IGP-M de 11,32% é o mais alto desde 2004

Índice de inflação que corrige contratos como o aluguel deve arrefecer em 2011

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2010 | 00h00

Puxada pela alta de preços das matérias primas agrícolas, a inflação medida pelo Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M)da Fundação Getúlio Vargas (FGV)atingiu 11,32% em 2010. O resultado é o maior desde 2004 e ocorre após a primeira deflação da história do indicador, de -1,72%, registrada em 2009.

Os efeitos da inflação anual na casa de dois dígitos não devem se esgotar neste ano. É que o IGP-M é o indicador usado como referência total ou parcialmente para reajuste de vários contratos do setor privado, como aluguéis, contratos para compra de imóveis em construção (INCC) e mensalidades escolares, por exemplo. Por isso, o resultado robusto de um ano contamina a inflação do ano seguinte.

"A inflação vai dar um certo trabalho em 2011", prevê o coordenador de análises econômicas da FGV, Salomão Quadros. Mas ele não acredita que o IGP-M do ano que vem supere o resultado do indicador deste ano. Em cinco de 12 meses de 2010, o IGP-M mensal passou de 1%.

"Poderemos ter alguns sustos em 2011", pondera o economista. Ele ressalta que este foi um ano de grande volatilidade do indicador em razão das compras de matérias primas efetuadas pela China, movimentos especulativos dos fundos de investimentos apostando nas commodities e problemas climáticos que afetaram a produção agropecuária.

Todos esses fatores poderão influenciar os preços em 2011, frisando que o IGP-M pode mostrar uma suave desaceleração no ano que vem.

Quadros observa que boa parte da disparada do IGP-M registrada neste ano se explica pela recuperação das perdas registradas em 2009. No ano passado, o IGP-M fechou com deflação em razão dos efeitos da crise financeira internacional que eclodiu no fim de 2008. "Não é provável que haja recuperação ao longo de 2011", diz. Nas suas contas, considerando a deflação de 2009 e o resultado deste ano, a inflação média do IGP-M em dois anos (2009 e 2010) seria, em média, de 4,6% a cada ano.

De toda forma, os resultados anuais de 2010 dos três índices que compõem o IGP-M não deixam dúvidas de que a inflação voltou com força neste ano, puxada não só pelas commodities, mas também pela demanda interna aquecida. O Índice de Preços por Atacado (IPA), que responde por 60% do IGP-M, aumentou 13,9% este ano, ante deflação de -4,42% em 2009.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que é 30% do indicador global, subiu 6,09% em 2010, com variação 50% maior que a do ano anterior (3,97%). A maior influência no IPC, que considera o peso do item e a variação, foi exercida pelas tarifas de ônibus urbanos, que subiram 11,47%, pelos aluguéis residenciais (4,15%) e planos de seguro e saúde (5,77%)

Impulsionado pelo bom momento da construção, com crédito imobiliário farto e as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o Índice Nacional da Construção Civil subiu 7,58% este ano, mais de duas vezes a alta acumulada em 2009.

Em dezembro, o IGP-M perdeu fôlego por causa dos produtos agropecuários no atacado e subiu 0,69%, ante variação de 1,45% em novembro. O IPA e o IPC tiveram elevações mais moderadas este mês, de 0,63% e 0,92%, respectivamente. Mas o INCC acelerou e subiu 0,59%, ante alta de 0,36% em novembro.

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