IGP-M de julho é o maior em dois anos

O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de julho, medido pela Fundação Getúlio Vargas, fechou o mês em 1,95%, 0,41 ponto porcentual acima da taxa de 1,54% verificada em junho. A variação de 1,95% em julho é a maior para o IGP-M desde agosto de 2000, quando o índice fechou em 2,39%. O resultado ficou dentro da expectativa do mercado, que previa uma inflação entre 1,65% e 2,05% no mês. Dos três componentes do IGP-M, o Índice de Preços por Atacado (IPA) foi o que apresentou maior alta em julho, de 2,66%. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) ficou em 0,90% e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), em 0,63%. Os "vilões" do IGP-M em julho foram o impacto do dólar nos preços do atacado e as tarifas administradas, no varejo. Apesar do avanço da moeda norte-americana, os repasses ao consumidor estão sendo graduais, porque encontram uma barreira formada pelo desaquecimento da atividade e pela queda da renda do trabalhador, segundo avaliação do coordenador de análises econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros.Daqui para frente, o dólar deverá ditar o ritmo da inflação, principalmente no atacado, mas com reflexos no varejo. "O IPC vai ser menos influenciado pelas tarifas e preços administrados, mas haverá a continuidade do repasse gradual da recente alta do câmbio", afirmou Quadros, que preferiu não fazer previsões para a inflação anual, por conta da volatilidade do dólar. No ano, o IGP-M acumula alta de 5,50% e nos últimos 12 meses, de 9,99%.Segundo ele, em julho ocorreu uma aceleração generalizada da inflação. Na maior parte dos grupos pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, os aumentos foram superiores aos de junho, fora os segmentos de alimentação e educação. O economista também disse que os picos de aumento do IGP-M são geralmente motivados pelo avanço dos preços no atacado, onde a influência da variação do câmbio é mais intensa.Dentre as três maiores contribuições no IPA, duas estão ligadas ao dólar: o preço da soja aumentou 13,18% e o trigo, 18,46%. A variação de preço dos ovos foi de 11,39% e do óleo diesel de 4,35%. O repasse integral do dólar, do atacado para o varejo, tem sido pouco verificado. "O repasse do câmbio ainda está sendo muito pequeno", afirmou Salomão, citando que o repasse total tem sido exceção e não regra. Um caso típico, contudo, foi do óleo de soja, que avançou 14,68% no atacado e 9,46% no varejo.As principais pressões inflacionárias ao consumidor foram das tarifas de telefones (variação de 9,45%), eletricidade residencial (2,79%) e plano de saúde (3,23%). Parte destes índices acabam sendo indiretamente transferidos pelo comércio aos preços finais de produtos.

Agencia Estado,

30 de julho de 2002 | 18h18

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