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Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

IGP-M de junho é o maior desde agosto de 2000

O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) fechou o mês de junho em 1,54%, a mais alta taxa mensal desde agosto de 2000, quando havia cravado 2,39%. O aumento foi ditado pelo avanço de 2,31% dos preços no atacado, principalmente em razão dos produtos com preços cotados em dólar. No varejo, entretanto, o avanço foi de apenas 0,33%, o que reflete, para a Fundação Getúlio Vargas (FGV), uma dificuldade do repasse de preços e uma provável compressão das margens de comercialização.?O dólar pesa relativamente mais no atacado. Na passagem para o varejo, isto não ocorre na mesma intensidade?, afirmou o vice-diretor do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, Roberto Fendt, citando que nem o emprego nem o rendimento do trabalhador tem avançado. Para ele, há espaço ainda para algum recuo do dólar, já que a maior parte da alta decorre de ?posições defensivas? adotadas por agentes econômicos e não há problemas nos fundamentos econômicos que justifiquem a recente escalada da cotação da moeda americana.No Índice de Preços por Atacado (IPA), os produtos agrícolas avançaram 4,17% e os industriais, somente 1,63%. As maiores altas ligadas ao dólar foram a soja (17,8%), celulose (14,61%) e trigo (16,03%). Também avançaram o óleo diesel (5%), o óleo combustível (10,15%) e o gás de cozinha (9,41%). No varejo, as principais contribuições foram do ônibus urbano (2,49%), gás de bujão (5,59%) e dos serviços de profissionais para reparos de residência (2,55%). Já o Índice Nacional da Construção Civil (INCC) ficou em 0,21%.Fendt lembrou que esta época do ano também sofre os efeitos da entresafra de produtos agrícolas, assim como o aumento de produtos de vestuário. Na prática, ele explica que os produtos comercializados internacionalmente apresentaram as principais elevações de preço, por causa do câmbio. Na outra ponta, os preços itens produzidos e consumidos no Brasil não avançaram tanto ou até caíram. Os principais recuos foram nos preços da laranja (-11,56%), melão (-35,73%), cenoura (-21,62%) e mamão (-19,71%).Consumidor ? Apesar do avanço do IGP-M, que registra alta de 3,48% no ano e de 9,48% nos últimos doze meses, o índice de preços ao consumidor, isoladamente, apresenta variações acumuladas inferiores. O IPC da FGV é o indicador que mais se aproxima do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Até junho deste ano, o IPC da FGV subiu 2,88%. E no período dos últimos doze meses, 7,27%.

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