Fábio Motta/Estadão
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IGP-M desacelera para 0,60% em junho, mas acumula alta de 35,75% em 12 meses

Economista diz que o índice, usado na correção de contratos de aluguel, deve continuar perdendo força nos próximos meses, mas efeitos para o consumidor ainda devem demorar

Guilherme Bianchini e Cícero Cotrim, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2021 | 12h01

O Índice Geral de Preços (IGP-M) teve forte desaceleração em junho, ficando em 0,60%, depois da alta de 4,10% em maio, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta terça-feira, 29. Esta foi a menor alta desde maio de 2020, quando o IGP-M teve variação de 0,28%. O resultado ficou abaixo do piso da pesquisa Projeções Broadcast, de 0,78%.

No ano, o indicador já alcançou alta de 15,08%. No acumulado em 12 meses até junho, chegou a 35,75%, depois de ficar em 37,04% até maio. O IGP-M é o indicador normalmente usado na correção de contratos de aluguel.

Segundo o coordenador de Índices de Preços da FGV, André Braz, o IGP-M deve manter a trajetória de desaceleração nos próximos meses, sustentado pelo movimento de valorização do real e de queda dos preços de commodities em dólares -  produtos com cotação internacional, como alimentos, petróleo e minério de ferro. Para ele, é possível até uma deflação do indicador em julho. Os efeitos dessas mudanças na inflação para o consumidor, no entanto, ainda devem demorar.

A desaceleração em junho foi puxada por um forte arrefecimento do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-M), de 5,23% para 0,42%, com destaque para os preços do minério de ferro (20,64% para -3,04%), soja em grão (3,74% para -4,71%) e milho em grão (10,48% para -5,50%). 

“Essa desaceleração estava um pouco agendada para o segundo semestre, mas acabou ocorrendo no fim do primeiro semestre”, explica Braz. “Com os preços das commodities recuando em dólares e o câmbio valorizando, o IGP-M tende a devolver um pouco as altas dos últimos meses. Mas, mesmo que caia, precisaria de uma sucessão grande de taxas negativas para que ele de fato antecipasse algum efeito que o consumidor vai perceber no produto final.”

Braz lembra que o nível elevado dos preços de matérias-primas - que acumulam alta de 71,28% nos 12 meses encerrados em junho - ainda deve pressionar a cadeia produtiva ao longo dos próximos meses, com aquecimento da economia, aumento da demanda, margens comprometidas da indústria e com os efeitos da crise hídrica. “Esse movimento de desaceleração do IPA não antecipa desaceleração da inflação ao consumidor no curto prazo”, avalia.

Segundo o economista, o cenário que se desenha para o IGP-M no fim de 2021 é de uma taxa inferior aos 23,14% observados em 2020. “Os movimentos mais recentes no Brasil e no mundo têm colaborado para um cenário de taxas mais baixas para o IPA à frente”, afirma.

Energia

Braz diz que o aumento previsto para o custo da energia elétrica deve afetar as indústrias que atendem à construção civil - de siderurgia, ladrilhos e pisos - e a indústria automotiva, mas não deve ser suficiente para anular o efeito do barateamento das matérias-primas no IPA. Mesmo assim, o efeito deve ser de impedir uma redução mais rápida do IPA industrial.

Para a inflação ao consumidor, o economista calcula impacto de 0,4 ponto porcentual no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho com uma elevação do custo da bandeira vermelha 2 a um nível em torno de R$ 11.

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