Tiago Queiroz/Estadão - 16/11/2020
O IGP-M é tradicionalmente usado para corrigir contratos de aluguel e também entra no cálculo das tarifas de energia elétrica, de saneamento e de alguns pedágios Tiago Queiroz/Estadão - 16/11/2020

IGP-M: Inflação do aluguel desacelera para 1,51% em abril, mas já acumula alta de 32% em 12 meses

Índice é o maior para o mês desde 1995; segunda a FGV, recuo em relação a março se deve à perda de força nos preços dos combustíveis

Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2021 | 08h47

O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) desacelerou em abril para 1,51%, depois chegar a 2,94% em março, informou nesta quinta-feira, 29, a Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado é a maior taxa para meses de abril desde 1995, quando foi de 2,10%. Neste ano o índice já acumula alta de 9,89% e, em 12 meses, de 32,02% - esse é o acumulado mais elevado para todos os meses desde abril de 2003 (32,97%). 

A desaceleração no período foi observada por todos os indicadores que compõem o IGP-M. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) passou de 3,56% para 1,84% e o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), de 0,98% para 0,44%. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) desacelerou de 2,00% para 0,95%

Segundo André Braz, coordenador dos Índices de Preços na FGV, a desaceleração dos combustíveis orientou o recuo da inflação ao produtor e ao consumidor. "Apesar disso, a variação do IGP-M avançou mais em 12 meses, tendência que deve continuar até o próximo mês, dado que o IGP-M havia subido apenas 0,28% em maio de 2020", afirmou.

O IGP-M é tradicionalmente usado para corrigir contratos de aluguel e também entra no cálculo das tarifas de energia elétrica, de saneamento e de alguns pedágios. Além disso, é usado na remuneração de fundos imobiliários. O índice tem registrado altas expressivas desde o início da pandemia. Isso ocorre porque o IGP-M é fortemente atrelado ao câmbio e foi afetado pela crise global causada pelo avanço do coronavírus. A valorização de 2020 foi a maior desde 2002 (25,31%).

Com isso, já há um movimento para trocar o índice de correção nos contratos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice oficial para medir o aumento dos preços do País. Um projeto que está na Câmara prevê uma nova regulamentação para o reajuste de aluguéis no País usando o índice calculado pelo IBGE.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) também já definiu que as contas de luz atrasadas serão corrigidas IPCA.

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Lojistas defendem a troca do IGP-M pelo IPCA no reajuste do aluguel

Índice usado para atualizar a maioria dos contratos de locação desacelerou para 1,51% em abril, mas acumula alta de 32% em 12 meses

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2021 | 17h42

Com as lojas fechadas há quase meio ano nos últimos 12 meses por causa da pandemia, os varejistas estão se mobilizando para tornar os negócios viáveis em meio à crise. A Associação Brasileira de Lojistas Satélites (Ablos) e 12 associações de varejistas espalhadas pelo País soltaram um manifesto conjunto em apoio ao projeto de Lei 1026/21, do deputado Vinicius Carvalho (Republicanos- SP). O projeto prevê que o IPCA, o índice oficial de inflação, seja o teto para os reajustes anuais de contratos de locação residenciais e comerciais.

Hoje a maioria dos contratos é atualizada pelo IGP-M. Neste mês, o indicador desacelerou em relação a março e ficou em 1,51%. Mas em 12 meses continua nas alturas, acumulando variação de 32%. É exatamente esse índice de 12 meses que é usado para reajustar o valor da locação. O IPCA acumulado em 12 meses até março é bem menor e está em 6,1%.

De acordo com o manifesto, a substituição do IGP-M pelo IPCA “se faz necessária e urgente para a sobrevivência dos negócios e empregos”. Os lojistas ressaltam que a correção do valor dos contratos visa reposição da inflação e aplicar o IGP-M, um índice que hoje é cinco vezes o IPCA, “não retrata a reposição da moeda e sim um aumento real no valor do aluguel”.

Se o indexador atual for mantido, os varejistas alertam que poderá ocorrer fechamento de negócios e corte nos empregos. Além da Ablos, assinam o manifesto as seguintes  associações: ABF, ABPS, Aloshop PE, AGV, AlôShopping, ASBRAF, CDL Recife, CDL POA, Sindilojas São Paulo, Sindilojas Recife, Sindilojas Porto Alegre, Sindilojas Campinas e Região.

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