IGP-M interrompe 6 quedas, mas sobe menos que o esperado

Indicador usado no cálculo de reajuste nos preços de aluguel registra alta de 0,42% em setembro, aponta FGV

Vanessa Stelzer, da Reuters,

29 de setembro de 2009 | 08h42

O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) interrompeu em setembro uma sequência de seis meses seguidos de deflação, devido a uma aceleração em todos os três componentes, mas subiu em ritmo ligeiramente inferior ao previsto pelo mercado. O indicador avançou 0,42% neste mês, após queda de 0,36% em agosto, e registrou este mês a maior taxa desde outubro do ano passado, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta terça-feira. No ano, o IGP-M acumula queda de 1,61% e nos últimos 12 meses, de 0,40%. A taxa acumulada do IGP-M é muito usada para cálculo de reajustes nos preços de aluguel.

 

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Analistas consultados pela Reuters previam alta de 0,46% para setembro, segundo a mediana de 15 estimativas, que variaram de 0,40% e 0,48%. O índice registrou este mês a maior taxa desde outubro do ano passado, quando o indicador subiu 0,98%.

Entre os componentes do IGP-M, o Índice de Preços por Atacado (IPA) teve elevação de 0,53% em setembro, após cair 0,61% em agosto. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,28% neste mês, ante alta de 0,16% no anterior. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) avançou 0,07% em setembro, contra variação positiva de 0,01% em agosto.

Atacado

 

O IPA-M acumula quedas de 4,05% no ano, e de 2,98% no acumulado em 12 meses até setembro, segundo a FGV, sendo que o IPA-M representa 60% do total do IGP-M. De acordo com a fundação, os preços dos produtos agropecuários registram taxa negativa acumulada de 2,11% no ano e deflação de 2,85% em 12 meses até setembro. Já os preços dos produtos industriais registraram deflações acumuladas de 4,75% no ano; e de 3,04% em 12 meses, até este mês.

 

Na análise por produtos, as altas de preços mais expressivas no atacado em setembro, no âmbito do IGP-M, foram registradas em açúcar cristal (18,56%); óleo combustível (6,73%); e cana-de-açúcar ( 2,69%). Já as mais expressivas quedas de preço, no atacado em setembro, foram apuradas em aves (-6,33%); bovinos (-1,91%); e leite in natura (-2,80%).

 

Varejo

 

No varejo, a inflação junto ao consumidor mensurada pelo IPC-M acumula altas de 3,57% no ano e de 4,98% em 12 meses até setembro, sendo que o IPC-M representa 30% do total do IGP-M. Segundo a FGV, a aceleração na taxa do IPC-M, de agosto para setembro (de 0,16% para 0,28%) foi influenciada principalmente pela mudança de comportamento nos preços dos alimentos, que voltaram a subir (de 0,00% para 0,57%). Nesta classe de despesa, houve término de deflação ou aceleração de preços em hortaliças e legumes (de -1,01% para 5,07%), frutas (de 5,03% para 8,97%) e em carnes bovinas (de -0,57% para 0,72%).

 

Ao analisar a movimentação de preços no âmbito dos produtos, as altas de preço mais expressivas no varejo, no IGP-M de setembro, foram registradas em limão (98,37%); tomate (28,41%); e mamão da Amazônia - papaya ( 22,97%). Já as mais expressivas quedas de preço foram apuradas em leite tipo longa vida (-11,05%); melancia (-15,80%); e frango inteiro (-6,78%).

 

Construção

 

Na construção civil, o INCC-M acumula altas de 2,69% no ano e de 4,47% em 12 meses até setembro, no âmbito do IGP-M, sendo que o INCC-M representa 10% do total do IGP-M. De acordo com a fundação, a aceleração de preços no setor, medida pela taxa do INCC, de agosto para setembro (de 0,01% para 0,07%), foi influenciada pelo fim na queda de preços em materiais, equipamentos e serviços (de -0,25% para 0,06%).

 

(Com Alessandra Saraiva, da Agência Estado)

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