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IGP-M mostra deflação, mas há novas pressões

Persistem focos de alta nos serviços e na construção, apesar de as commodities levarem o índice a -0,32%

Márcia De Chiara e Francisco C. de Assis, O Estadao de S.Paulo

28 de agosto de 2008 | 00h00

A queda das commodities, especialmente as agrícolas, derrubou a inflação medida pelo Índice Geral de Preço-Mercado (IGP-M) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) deste mês. O indicador fechou agosto com deflação de 0,32%, depois de ter subido 1,76% em julho e atingido o pico de 1,98% em junho. Desde abril de 1999, o IGP-M não registrava desaceleração tão forte em um único mês. De julho para agosto, o índice variou 2,08 pontos porcentuais. Também desde abril de 2006 o IGP-M não acusava deflação.Apesar da mudança de rota do IGP-M, o cenário para a inflação nos próximos meses não será tão tranqüilo. "A inflação está mudando de cara", alerta o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros. Fatores externos, como alta das commodities, perdem força de pressão na inflação e ficarão mais evidentes os motivos domésticos, como a alta dos preços dos serviços livres e administrados e o repasse na cadeia produtiva de elevações de outros custos, advindos da alta, no passado, das commodities, como no caso dos itens da siderurgia, usados na construção civil."Está mais fácil cumprir a meta de inflação, mas não dá para vacilar", pondera o coordenador da FGV, fazendo referência à política de juros altos adotada pelo Banco Central (BC) a partir de abril para conter os repasses de custos para os preços ao consumidor.Segundo ele, para os próximos meses o cenário para elevação dos preços dos serviços é favorável em razão do aumento da renda dos trabalhadores, além da própria indexação de várias tarifas que são reajustadas levando em conta a inflação passada medida pelos IGPs. Quadros acha improvável que o IGP-M tenha novas deflações. Em 12 meses até agosto, o IGP-M acumula alta de 15,12%O coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Antonio Evaldo Comune, faz análise semelhante à de Quadros. "A inflação bateu no seu limite de queda e a tendência daqui para frente é que ela volte a subir."Segundo Comune, a média mensal do IPC da Fipe até dezembro deverá oscilar entre 0,40% e 0,50% e fechar o ano dentro da expectativa de 6,50%. Na terceira prévia deste mês, o IPC da Fipe ficou praticamente estável. Subiu 0,35%, ante 0,34% na quadrissemana anterior. O resultado da terceira quadrissemana de agosto interrompeu uma seqüência de nove quadrissemanas consecutivas de desaceleração. A mudança de trajetória da inflação ao consumidor na capital paulista foi provocada especialmente pela tarifa de energia elétrica, que subiu 2,91% ante uma deflação de 0,12% na quadrissemana anterior.CONSTRUÇÃOTodos os indicadores que compõem o IGP-M perderam força de julho para agosto. A maior desaceleração ocorreu no Índice de Preços por Atacado (IPA), que tinha registrado alta de 2,20% em julho e teve variação negativa de 0,74% neste mês. Segundo Quadros, 80% da queda de 2,94 pontos porcentuais de uma mês para outro ocorreu em razão do recuo das commodities agropecuárias. O destaque foi para a soja que pesa cerca de 5% no índice. "A soja está presente em três dos cinco itens que tiveram maior variação negativa no IPA", observa o coordenador. Em agosto, a soja em grão no atacado caiu 13,32%, o farelo de soja, 11,75% e o óleo de soja em bruto, 13,38%.O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M) fechou agosto com alta de 0,23%, depois de ter aumentado 0,65% em julho, com deflação em dois grupos de preços: alimentos (-0,46%) e artigos de vestuário (-0,16%). A menor desaceleração de julho para agosto ocorreu no Índice Nacional da Construção Civil (INCC), de 1,42% para 1,27%, respectivamente. Apesar da perda de fôlego dos reajustes da mão-de-obra, os preços dos materiais de construção estão pressionados e subiram 2,51% este mês, depois de terem aumentado 1,65% julho. Nenhum item do INCC teve variação negativa este mês. Esse é um foco de inflação doméstica ao lado dos serviços, alerta Quadros.

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