Werther Santana/ Estadão
Werther Santana/ Estadão

IGP-M cai 0,64% em setembro e alta em 12 meses fica abaixo de 30% pela 1ª vez desde fevereiro

É a primeira deflação do índice, usado para corrigir contratos de aluguel de imóveis, desde fevereiro de 2020; recuo do indicador, que é afetado pelo dólar e pelo desempenho dos produtos de atacado, foi puxado pela queda no minério de ferro

Cícero Cotrim e Guilherme Bianchini, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2021 | 08h40
Atualizado 29 de setembro de 2021 | 09h24

O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), normalmente usado para corrigir contratos de aluguel de imóveis, caiu 0,64% em setembro, depois de ter subido 0,66% em agosto, informou nesta quarta-feira, 29, a Fundação Getulio Vargas (FGV). É a primeira deflação mensal do índice desde fevereiro de 2020 (-0,04%) e a menor taxa desde agosto de 2019 (-0,67%).

A deflação do IGP-M foi maior do que indicava a mediana das estimativas de analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, de queda de 0,43%, e ficou dentro do intervalo das projeções (-1,10% a 0,03%). 

Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses pelo IGP-M desacelerou de 31,12% em agosto para 24,86% em setembro, abaixo do nível de 30% pela primeira vez desde fevereiro (28,94%). Em 2021, o índice soma alta de 16,0%.

O cálculo do IGP-M leva em conta a variação de preços de bens e serviços, bem como de matérias-primas utilizadas na produção agrícola, industrial e construção civil, e é bastante afetado pelo desempenho do câmbio e dos produtos de atacado. 

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-M), que monitora a variação de preços percebidos por produtores, caiu 1,21% em setembro, após alta de 0,66% em agosto, e puxou a deflação do IGP-M. O indicador acumula alta de 19,15% no ano e de 30,54% em 12 meses.

Essa leitura foi reflexo da deflação de 5,74% das matérias-primas brutas ante recuo de 1,64% em agosto, com os preços do minério de ferro acelerando suas perdas a 21,74%, depois do recuo de 15,32% no mês anterior.

"Foi a principal contribuição para o resultado do índice geral", disse André Braz, coordenador dos índices de preços, sobre o comportamento da commodity. "Sem o minério de ferro, o IGP-M teria registrado alta de 2,37% em agosto e de 1,21% em setembro."

Na outra ponta, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M) avançou de 0,75% para 1,19% no período. O indicador acumula inflação de 6,30% em 2021 e de 9,20% em 12 meses.

O Índice Nacional de Custos da Construção (INCC-M) subiu 0,56% em setembro, mesma taxa registrada em agosto. O índice registra alta de 11,99% de janeiro a setembro de 2021 e de 16,37% no acumulado de 12 meses.

Segundo o último Relatório de Mercado Focus, divulgado Banco Central na segunda-feira, 27, a projeção dos analistas do mercado para a alta do IGP-M neste ano passou de 18,21% para 18,18% - há um mês, estava em 19,65%. / COM REUTERS

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