IGP-M recua para o menor nível no ano

Derrubado pela queda dos preços das matérias primas industriais, índice sobe apenas 0,15% em julho, após aumento de 0,85% no mês passado

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2010 | 00h00

A inflação de julho medida pelo Índice de Preços Mercado (IGP-M) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) teve uma forte desaceleração em relação a junho e fechou o mês no menor nível do ano. O indicador, que baliza o reajuste de vários contratos, como os de aluguel, encerrou o mês com alta de 0,15%, após ter subido 0,85% em junho, iniciado 2010 com alta de 0,63% e ter ficado durante vários meses do primeiro semestre em torno de 1%.

"Houve uma desaceleração generalizada", afirma o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros. Dos três indicadores que compõem o IGP, dois deles, o Índice de Prelos por Atacado (IPA) e o Índice Nacional da Construção Civil (INCC) tiveram forte perda de fôlego de junho para julho e o Índice de Preços ao Consumidor (IPC)se manteve no terreno negativo.

O IPA, que responde por 60% do IGP, encerrou julho com alta de 0,20%, após ter subido 1,09% em junho. Na análise de Quadros, o forte recuo dos preços do bens industriais, que tinham subido 1,39% em junho e terminaram julho com aumento de 0,18%, foi o principal responsável pela desaceleração do IPA. Os preços dos bens industriais perderam 0,92 ponto porcentual de junho para julho e o IPA, 0,89 ponto no mesmo período.

O fôlego menor dos bens industriais reflete, na opinião de Quadros, o quadro incerto da economia mundial que pode entrar em compasso de espera. O efeito da valorização do real em relação ao dólar é neutro, já que o câmbio não apresentou grandes oscilações no período.

Quadros ilustra o movimento de preços de algumas matérias primas. A cotação da celulose, por exemplo, que tinha subido 7,59% em junho, aumentou 1,15% em julho. O polipropileno, por sua vez, derivado do petróleo, cujas cotações estão estagnadas, teve deflação de 2,50% em julho. Tinha subido apenas 0,21% em junho.

O INCC, que responde por 10% do IGP-M em vinha em trajetória ascendente nos último meses, foi outro que tropeçou neste mês. O indicador terminou julho com alta 0,62% e desaceleração de 1,15 ponto porcentual em relação a junho. Os resultados das variações de preços dos materiais e da mão de obra perderam o ímpeto de alta neste mês, apesar do forte aquecimento da construção civil.

Já o IPC, que pesa 40% no IGP, registrou deflação pelo segundo mês seguido. Em julho, o IPC teve deflação de 0,17%, após ter caído 0,18% em junho. "Dois meses consecutivos de deflação no IPC era algo que não ocorria desde 2006", observa Quadros. Ele , lembra que naquele ano a inflação despencou e o IGP-M fechou 2006 com variação de apenas 3,83%.

Na opinião do economista, os últimos resultados dos indicadores de inflação ainda não permitem traçar prognósticos sobre o comportamento da inflação para os próximos meses. "O cenário ainda é incerto para o segundo semestre", pondera.

Nesse cenário, ele considera fatores climáticos que podem interferir nos preços agrícolas com a chegada do período de entressafra, especialmente nas carnes (aves e bovinos) e nos grãos. Além disso, não se sabe ao certo até que ponto o recuo dos preços das commodities no mercado internacional como reflexo da crise enfrentada pelas economias desenvolvidas deve continuar. Também a maior oferta de crédito e aumento do emprego e da renda devem sustentar o consumo. "É o momento de se reavaliar o processo inflacionário."

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