IGP-M sobe 0,97%, mas ritmo de alta é menor

Taxa de inflação que reajusta contratos de aluguéis havia subido 1,43% em agosto; FGV diz que preços de produtos agropecuários perderam força

WLADIMIR DANDRADE, FLAVIO LEONEL, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2012 | 03h09

O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) subiu 0,97% no mês de setembro, depois de avançar 1,43% em agosto, divulgou ontem a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

A taxa ficou dentro do intervalo previsto nas estimativas do mercado financeiro consultadas pelo AE Projeções (0,75% a 1,20%) e acima da mediana projetada, de 0,94%. No ano, até setembro, o IGP-M, índice bastante usado para reajuste de contratos de aluguel, acumula alta de 7,09%, enquanto no acumulado dos últimos 12 meses o avanço é de 8,07%.

A FGV informou ainda os resultados dos três indicadores que compõem o IGP-M de setembro. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) teve alta de 1,25% no mês, após subir 1,99% em agosto. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) apresentou variação positiva de 0,49% no fechamento deste mês, depois de registrar elevação de 0,33% no mês anterior. Por fim, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) avançou 0,21%, ante 0,32%, na mesma base de comparação.

Desaceleração. A taxa de inflação medida pelo IGP-M tende a passar, em outubro, por um processo de desaceleração menos intenso que o observado em setembro ante agosto. A avaliação é do coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, que, em entrevista à Agência Estado, destacou que os itens de peso responsáveis pelo cenário de alta menor do indicador neste mês podem ter esgotado este potencial benéfico. Quanto ao índice no acumulado de 12 meses, ele previu que o panorama tende a ser levemente inverso. Uma das explicações é de que há uma expectativa de a atividade econômica do segundo semestre de 2012 ser um pouco melhor do que a do mesmo período de 2011, quando este detalhe foi importante para trazer taxas mensais baixas ou até em deflação para o IGP-M.

Para a FGV, o grande segmento responsável pela desaceleração na taxa mensal entre agosto e setembro foi o de preços agropecuários do atacado, cujo avanço passou de expressivos 6,07% para 2,77% no período. Salomão Quadros lembrou que a mesma alta de commodities que ajudou a inflar o valor de itens, como a soja e o milho, no atacado nacional, passou por um processo natural de perda de impacto na sequência.

Outubro. Para outubro, Quadros vê menos espaço para soja e milho repetirem o processo visto em setembro no atacado. Em contrapartida, o economista não enxerga pressões na carne bovina tão fortes quanto às observadas nesta recente divulgação da FGV.

Se a expectativa de Quadros de desaceleração menor na taxa do IGP-M em outubro se confirmar, há possibilidade de o indicador ficar acima do observado no mesmo período do ano passado, quando registrou inflação de 0,53%. Com este detalhe, naturalmente a taxa acumulada em 12 meses tende a superar os 8,07% vistos até setembro.

Questionado se o resultado poderia chegar à marca de 10% em dezembro, o coordenador de Análises Econômicas preferiu não se prender a uma projeção exata. Insistiu que a tendência mais provável é uma leve aceleração, mas com uma taxa não muito distante da atual.

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