Fábio Motta / Estadão
Fábio Motta / Estadão

Inflação do aluguel sobe 10% em 12 meses, mas crise breca reajustes

Aumento da oferta de locação residencial faz com que o preço de novos contratos acumule queda de 2,51%, sem considerar a inflação, o que abre espaço para pechinchas 

Bianca Pinto Lima e Idiana Tomazelli, O Estado de S. Paulo

20 de outubro de 2015 | 08h25

RIO - O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), muito usado para reajustar os aluguéis, acelerou para 1,86% na segunda prévia de outubro e já acumula aumentos de 8,32% no ano e de 10,06% em 12 meses. Os proprietários, no entanto, dificilmente conseguirão essa correção de dois dígitos nos velhos contratos. Isso porque o esfriamento da economia - que também impacta a compra e venda de imóveis - levou a uma perda de fôlego do mercado de locação. 

Em 12 meses até setembro, o valor do aluguel inicial pedido pelos locadores caiu, em média, 2,51% em nove cidade pesquisadas, segundo o Índice FipeZap de Preços de Imóveis Anunciados. Essa queda é nominal, ou seja, nem considera a inflação acumulada no período - que foi de 9,49% pelo índice oficial, o IPCA (Índice de Preço ao Consumidor Amplo).

"A recomendação é negociar, já que se o locatário sair do atual apartamento e for para um novo, provavelmente vai conseguir um aluguel mais barato", diz Eduardo Zylberstajn, coordenador do indicador.

O índice, levantado em anúncios de locação feitos na internet, leva em conta nove cidades brasileiras: Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Brasília (DF), Santos (SP), Porto Alegre (RS), Salvador (BA), São Bernardo do Campo (SP), Campinas (SP) e Curitiba (PR).

Dentre elas, o Rio de Janeiro apresenta a queda mais expressiva em 12 meses: -8,31%. Já em São Paulo, os valores dos novos contratos recuaram, em média, 1,57%. Os apartamentos com quatro dormitórios ou mais são os mais afetados na capital paulista, com queda nominal de 3,79%.   

"Como as pessoas não estão conseguindo vender, elas veem a locação como alternativa e isso acaba aumentando a oferta e reduzindo os preços. E é provável que isso esteja acontecendo com mais intensidade no Rio de Janeiro", comenta Zylberstajn.

Para Cláudio Considera, presidente da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), a conservação do imóvel e o pagamento em dia devem ser usados como argumentos para pedir desconto ao proprietário. "Afinal, se o inquilino conserva o imóvel, paga em dia e não reclama por qualquer coisa, o locador deve fazer um esforço para segurá-lo", diz.

Inflação. Segundo a FGV, o IPA-M, que representa os preços no atacado dentro do IGP-M, subiu 2,63% neste mês, em comparação com a alta de 0,89% na segunda prévia de setembro. O IPC-M, que corresponde à inflação no varejo, apresentou alta de 0,57% na leitura anunciada hoje, após subir 0,23% no mês passado. Já o INCC-M, que mensura o custo da construção, teve elevação de 0,14%, após registrar aumento de 0,11% na mesma base de comparação.

Tarifas de ônibus, gasolina, gás de botijão e alimentos foram os itens que mais pressionaram o bolso das famílias. Ao todo, cinco das oito classes de despesa componentes do IPC-M aceleraram na passagem do mês. A principal contribuição partiu do grupo Transportes (0,27% para 1,22%), que teve como destaques a tarifa de ônibus urbano (0,27% para 2,78%) e a gasolina ( 0,37% para 1,69%).

Também ganharam força os grupos Alimentação (0,01% para 0,35%), Habitação (0,39% para 0,63%), Educação, Leitura e Recreação (-0,09% para 0,33%) e Vestuário (0,06% para 0,56%). As maiores contribuições para estes movimentos partiram dos itens frutas (-0,29% para 1,43%), gás de botijão (1,74% para 10,98%), passeios e férias (-1,25% para 0,56%) e roupas (0,11% para 0,52%), respectivamente. 

No sentido contrário, desaceleraram os grupos Saúde e Cuidados Pessoais (0,61% para 0,50%), Despesas Diversas (0,21% para 0,12%) e Comunicação (0,31% para 0,14%). Nestas classes de despesa, destacaram-se os itens artigos de higiene e cuidado pessoal (0,89% para 0,13%), alimentos para animais domésticos (1,30% para 0,38%) e mensalidade para TV por assinatura (1,79% para 1,27%), respectivamente.

Tudo o que sabemos sobre:
aluguelinflação

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.