IGP-M tem deflação na 2ª prévia do mês

Após quatro meses de alta, indicador teve deflação de -0,07%; mercado apostava na estabilidade

ALESSANDRA SARAIVA / RIO , O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2011 | 03h06

Mais uma vez a crise internacional contribuiu para a queda de um indicador inflacionário. Após quatro meses em alta, a segunda prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) voltou a mostrar deflação, de -0,07% em dezembro. Em novembro, a segunda prévia do índice, usado para reajustar o preço do aluguel, subiu 0,40%. A taxa surpreendeu o mercado, que esperava estabilidade (0,0%).

Até a prévia de dezembro, o índice subiu 5,15% no ano. Isso renovou apostas de que o IGP-M fechará 2011 com metade da inflação de 2010 (11,30%). Caso o indicador feche abaixo de 6%, seria a menor taxa anual desde a crise em 2009 (-1,72%).

O cenário incerto no exterior provocou diminuições de preços das commodities, como soja e minério de ferro, que ficaram mais baratas no atacado. O setor atacadista, 60% dos Índices Gerais de Preços (IGPs), também mostrou deflação, de - 0,38% em dezembro, frente à elevação de 0,44% em novembro. "Praticamente todas as commodities estão em queda ou em desaceleração, sejam elas minerais, agropecuárias ou industriais", disse o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros.

Enquanto o minério de ferro é o produto de maior peso no setor, a soja em grão é o item agropecuário de maior contribuição para a formação da inflação atacadista. Os dois tiveram quedas respectivas de -6,68% e de -3,36% na segunda prévia de dezembro.

Outro ponto destacado por Quadros foi o comportamento favorável do câmbio. Embora tenha contribuído para elevar preços em setembro e outubro deste ano, o dólar em alta não é mais uma pressão inflacionária. Ele foi cauteloso quanto questionado sobre a sustentabilidade da deflação apurada na segunda prévia de dezembro. "Não posso dizer que o IGP-M vai, com certeza, fechar o mês em queda. Mas as causas que fizeram a segunda prévia do indicador em dezembro mostrar deflação não são pontuais, e sim parte de uma conjuntura maior, envolvendo o cenário internacional, que não aparentam ter resolução rápida."

Mas o consumidor ainda não sentiu os efeitos da deflação da segunda prévia. Alimentos mais caros no varejo sustentaram a inflação no varejo, que acelerou de 0,30% para 0,59% de novembro para dezembro. A entressafra de bovinos no atacado deixou carnes mais caras no setor varejista. O bolso do consumidor também foi pressionado pela menor oferta de hortifrutigranjeiros, prejudicada por problemas climáticos. Já os preços na construção aceleraram, de 0,37% para 0,43% de novembro para dezembro, pressionados por mão de obra mais cara.

Preços em alta no varejo e na construção não impediram o mercado de revisar para baixo as estimativas para o IGP-M fechado de dezembro.

A Tendências Consultoria, que esperava uma alta de, no mínimo, 0,05% para o índice deste mês, já projeta taxa mais baixa para o último resultado mensal do ano.

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