Iguatemi, do Grupo Jereissati, vai administrar a Villa Daslu

Ideia é unir a Villa Daslu ao shopping de luxo que será inaugurado no mesmo terreno em 2011 

Paula Pacheco, de O Estado de S. Paulo,

12 de fevereiro de 2010 | 08h04

A Iguatemi Empresa de Shopping Centers será a nova administradora da Villa Daslu. Ontem à noite foi confirmada a assinatura do contrato entre a empresa e a WTorre Empreendimentos Imobiliários, dona do terreno e dos imóveis. A Villa Daslu, marca de Eliana Tranchesi, instalada numa suntuosa construção na Vila Olímpia, zona sul de São Paulo, a partir de 1º de março vai integrar o Complexo JK, que incluiu um shopping de luxo (o JK Iguatemi, com previsão de inauguração em março de 2011), e três torres comerciais (duas em construção).

A ideia, segundo o comunicado das duas empresas, é buscar sinergias entre os negócios do Iguatemi, da família Jereissati, e a Villa Daslu. "Com a administração da Villa Daslu, passamos a ser os administradores de todo o complexo e damos o primeiro passo para a criação de um projeto diferenciado, objetivando a maior criação de valor para o JK Iguatemi, para a Villa Daslu e para o restante do empreendimento", disse, em comunicado, Carlos Jereissati, presidente da Iguatemi.

A empresa de shoppings BRMalls avisou na quarta-feira aos lojistas da Daslu que deixaria de administrar os corners dentro do que ficou conhecido como Villa Daslu. A parceria, iniciada há um ano, surgiu depois de recomendação de consultores que ajudaram a reestruturar a Daslu no período pós-Operação Narciso. As investigações da Polícia Federal, da Receita Federal e do Ministério Público Federal, em julho de 2005, levaram Eliana à prisão, acusada de sonegação, entre outros crimes.

O escândalo deflagrou uma onda de boatos sobre o futuro da empresa. Na época, poucos apostavam que Eliana conseguiria se recuperar. Faltava crédito e as araras ficaram desabastecidas das tradicionais grifes. No ano passado saiu a condenação: 94,5 anos de prisão, com direito a recurso.

Ontem, enquanto eram acertados os detalhes sobre o futuro da mais conhecida marca de luxo do Brasil, Eliana enfrentava um frio abaixo de zero para conferir a Semana de Moda de Nova York.

Eliana evita falar sobre os problemas financeiros e jurídicos. Mas, entre os mais íntimos, já teria confidenciado que parte das notícias sobre a má fase dos negócios tem como origem o Grupo Jereissati.

As duas partes sempre estiveram envolvidas em disputas pelos consumidores de alto poder aquisitivo que frequentam tanto a Daslu quanto o Shopping Iguatemi. A Daslu claramente ficou em desvantagem desde o escândalo envolvendo a denúncia de sonegação. Nos últimos tempos, tem precisado renegociar os aluguéis atrasados devidos à WTorre.

Segundo a executiva de uma grife internacional de luxo, os maridos, principalmente, passaram a aconselhar as suas mulheres a não comprar na loja de Eliana depois dos problemas com a Justiça, por medo de que os problemas legais respingassem na clientela. Agora, Eliana terá de manter a mais cordial das relações com o novo administrador da sua empresa.

Por e-mail, a empresária disse ao Estado: "As noticias sobre a Daslu são sempre muito tendenciosas e nunca refletem o que há de fato. Não há muito o que dizer, a não ser que somos incansáveis e trabalhamos muuuuuito".

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