IIF prevê forte queda no fluxo de capital para emergentes

O Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), que reúne os principais bancos mundiais, reduziu para US$ 619 bilhões a projeção dos fluxos líquidos de capital privado para os mercados emergentes em 2008, em comparação aos US$ 731 bilhões que haviam sido estimados em março deste ano. Em relação a 2007, quando este fluxo foi de US$ 898 bilhões, a projeção do IIF para 2008 representa um "declínio significativo", ou seja, uma queda de US$ 279 bilhões, reconhece o chamado clube dos bancos. Diante do cenário mundial, o IIF "aceita a responsabilidade para adotar quaisquer ações necessárias para contribuir com a estabilidade", disse o presidente do instituto e do banco alemão Deutsche Bank, Josef Ackermann. "Líderes da nossa indústria aceitam a responsabilidade para tomar ações para manter a estabilidade agora e no futuro. Riscos sistêmicos precisam de resposta sistêmica, abordagem coordenada e consistente", acrescentou, durante entrevista hoje em Washington.Os dados do IIF revelam que 2007 foi o ano que marcou o nível mais elevado dos fluxos líquidos privados para os países emergentes no ciclo atual, informou o grupo, que funciona como uma "Febraban mundial". Para 2009, o IIF prevê que os fluxos líquidos devem ficar em US$ 562 bilhões, cerca de US$ 60 bilhões abaixo da estimativa para 2008, e representa um retorno em direção ao nível registrado em 2006 (de US$ 565 bilhões). O principal canal do enfraquecimento corrente é o forte declínio nos empréstimos líquidos interbancários, disse o IFF.O IIF pondera, no entanto, que há "relativa estabilidade" dos investimentos estrangeiros diretos (IED). Em tempos de estresse, os IEDs são ainda mais relevantes para os emergentes. Para uma amostra de 30 países, o IIF estima que os investimentos estrangeiros diretos líquidos devem estar em torno de US$ 288 bilhões em 2008, pouco abaixo dos US$ 302 bilhões em 2007. Para 2009, a projeção é de US$ 282 bilhões. "Diversos emergentes implementaram reformas-chave e políticas macroeconômicas prudentes que os deixaram muito mais resilientes e acreditamos que diversos deles estão posicionados para suportar as tempestades", disse William Rhodes, primeiro-vice-presidente do IIF e executivo-chefe do Citigroup.CrescimentoO IIF constata que há elevada correlação entre crescimento econômico mundial e fluxos líquidos privados para os países emergentes. Para 2008, o instituto prevê que a economia mundial deve crescer 2,3%, e deve desacelerar para 1,6% em 2009, a pior performance desde 2001. As economias maduras devem avançar 1,1% neste ano e 0,5% em 2009, com os EUA "parecendo ter entrado em recessão nas semanas recentes", fase que deve durar até os primeiros meses de 2009. Para os emergentes, o IIF estima crescimento de 6,4% em 2008 e 5,5% em 2009. Para o Brasil, o IIF prevê crescimento de 5,3% neste ano e 3% em 2009."A redução de 0,7 ponto porcentual no crescimento global que projetamos (de 2008 para 2009) significaria moderação nos fluxos de cerca de US$ 130 bilhões, o que sugere risco para a projeção em 2009". Em 2007, dos US$ 898 bilhões que migraram para os emergentes, o IIF calcula que US$ 518 rumaram em direção aos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), e que deram "dor de cabeça" para as autoridades locais por causa da apreciação das moedas destas economias e aumento do crédito nos sistemas bancários locais.Por isso, o IIF avisa que é tarefa "delicada" projetar o número para 2009. A estimativa precisa combinar o que parece ser uma "parada repentina" na entrada de fluxo para emergentes com a avaliação classificada como "realista" pelo instituto de recuperação nos fluxos na medida em que o ano de 2009 avance.O IIF reconhece que os fluxos privados para os emergentes "caíram acentuadamente na semanas recentes", em oposição aos últimos 15 meses, período em que a situação mundial já era desafiadora, mas os emergentes continuavam desfrutando de fluxos privados em "ritmo forte", disse hoje o IIF, em evento realizado em Washington, na semana do Encontro Anual do Fundo Monetário Internacional (FMI). Foi "um ano em que vivemos perigosamente", continuou o instituto."Quando a recuperação chegar, avalia o instituto, a perspectiva para retornos parece mais atrativa nos mercados emergentes do que a dos mercados maduros", prevê o instituto. "Investidores nos mercados emergentes, como bancos centrais, fundos soberanos de riquezas e investidores privados, também parecem mais inclinados para oportunidades nos emergentes."

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