REUTERS/Ueslei Marcelino
REUTERS/Ueslei Marcelino

'Com mandato fixo, talvez razões pessoais não se colocassem', diz Ilan sobre permanência no BC

Presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, voltou a defender projeto de autonomia do órgão na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE)

Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

05 Dezembro 2018 | 11h33
Atualizado 05 Dezembro 2018 | 13h33

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, repetiu nesta quarta-feira, 5,  que recusou o convite para continuar à frente da instituição no próximo governo por razões pessoais, que preferiu não revelar.

“Venho do setor privado, e resolvi retornar às origens. Se houvesse um mandato fixo para o BC, talvez essas questões pessoais não se colocassem”, afirmou, em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

Mais uma vez, o presidente do BC defendeu a aprovação do projeto de autonomia do BC, que estabelece mandatos não coincidentes de quatro anos para o presidente os diretores da autoridade monetária.

“Não é saudável para a sociedade mudar tudo ao mesmo tempo. Eu mesmo tive que responder várias vezes sobre o futuro do BC no meio do mandato”, afirmou Goldfajn, em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. “A independência do BC não é para fazer o que quiser, mas uma autonomia para perseguir metas. Dos maiores 40 bancos centrais do mundo, Brasil é único que não tem autonomia”, reforçou.

O projeto de autonomia do BC ainda tramita na Câmara dos Deputados, mas deve ser colocado em votação apenas em fevereiro de 2019.

Em resposta a perguntas que internautas enviaram à CAE, Goldfajn considerou positiva a regra constitucional do teto de gastos. “É um instrumento para não deixar as despesas do governo subirem mais”, considerou.

O presidente do BC voltou a dizer que as criptomoedas preocupam o órgão porque não têm lastro, ou seja, não são garantidas por nenhum Banco Central. “Desde o nosso alerta no ano passado, as criptomoedas desvalorizaram em 60%. As criptomoedas também não podem ser caminho para lavagem de dinheiro”, concluiu.

'Crescimento gradual, mas consistente'

O presidente da autoridade monetária também avaliou que a alta do Produto Interno Bruto (PIB), de 0,8% no terceiro trimestre deste ano mostrou que a economia brasileira segue trajetória de “crescimento gradual, mas consistente”.

“Esta foi a sétima variação positiva consecutiva, um comportamento não observado desde 2011”, destacou Goldfajn, em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Ele lembrou que o PIB chegou a recuar 7,5% nos anos de recessão, mas tem crescido continuamente desde o fim de 2016.

Segundo Goldfajn, as diversas projeções de mercado apontam para um crescimento do PIB entre 1,3% e 1,5% em 2018, sendo que a projeção do BC é de 1,4%. Para 2019, a autoridade monetária espera um crescimento de 2,4%. “Se tivermos um avanço mais forte das reformas, o crescimento em 2019 poderá ser maior”, acrescentou.

O presidente do BC repetiu as apresentações realizadas por ele nos últimos dias. Ele voltou a defender a aprovação de reformas de natureza fiscal, como forma de garantir os bons resultados da política monetária - atualmente com juros no piso histórico e expectativas de inflação próximas das metas neste e nos próximos anos. “Juros baixos e inflação na meta têm ajudado a recuperação gradual da economia”, explicou.

Goldfajn voltou a avaliar que o cenário externo de 2018 se mostrou desafiador às economias emergentes, mas reforçou que os efeitos desse ambiente desfavorável dependem fundamentos de cada economia.

“Fatores como necessidade de financiamento externo, nível de inflação e de autonomia de facto do banco central e o estágio alcançado no processo de reformas e ajustes ajudam a passar por cenário externo desafiador”, destacou.

Goldfajn lembrou ainda que o apetite ao risco de ativos de economia emergentes tem apresentado relativa estabilidade, ainda que em níveis aquém daqueles verificados no começo de 2018. “Não obstante tais incertezas, o Brasil possui amortecedores robustos para enfrentar choques internos ou externos”, completou.

O presidente do Banco Central também repassou o balanço das ações da Agenda BC+ divulgado na semana passada, com 19 iniciativas concluídas entre 2016 e 2017, 22 medidas concluídas neste ano e mais propostas 27 em andamento.

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