André Dusek/Estadão
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Ilan descarta regular bitcoin neste momento, mas diz que País vai monitorar criptomoeda

Em Buenos Aires, durante encontro do G-20, presidente do BC falou que Brasil tem amortecedores para aguentar solavandos da economia mundial

Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

19 Março 2018 | 11h42

BUENOS AIRES - O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, disse nesta segunda-feira, 19, que o Brasil não vai regular por enquanto as moedas virtuais, como a bitcoin. No entanto, ele afirmou que o BC vai monitorar o mercado e o que outros países estão fazendo a respeito do assunto.

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O presidente do BC está em Buenos Aires, na Argentina, onde participa nesta segunda e terça-feira do encontro do G-20. O evento vai reunir nesta segunda e terça-feira 22 ministros de finanças, 17 presidentes de bancos centrais e dez titulares de organismos internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI).

O Brasil será representado pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que chegou na noite de deste domingo à capital argentina, e por Ilan Goldfajn, que está na cidade desde sexta-feira.

Além das criptomoedas, serão discutidos no evento o financiamento da infraestrutura e a decisão dos Estados Unidos de sobretaxas as importações de aço e alumínio.

Ainda sobre as moedas virtuais, Ilan destacou que os países do G-20 não podem ser complacentes com a lavagem de dinheiro e evasão fiscal, observando que as criptomoedas podem ser usadas com esse fim, por isso, precisam ser monitoradas.

Crise. Questionado sobre os riscos do País frente ao cenário internacional, o presidente do BC afirmou que o Brasil tem amortecedores para aguentar eventuais solavancos da economia global. "O risco que acho mais direto é a subida de juros nos países avançados", disse ele a jornalistas entre uma reunião e outra no encontro ministerial do G-20. O temor é que essa normalização da política monetária não aconteça tão suave como se imagina e afete os fluxos internacionais de capital para os emergentes.

Ilan citou as elevadas reservas internacionais do Brasil, que somam 20% do Produto Interno Bruto e o volume de investimento externo direto, que chega a 3,5%. Além disso, a economia brasileira teve ajuste nas contas externas e o déficit no balanço de transações correntes é de apenas 0,5% do PIB, disse ele a jornalistas.

"Normalização suave da política monetária nos países desenvolvidos é sempre bem-vinda", disse o presidente do BC, ressaltando que é preciso ter cuidado para que esse processo não provoque sobressaltos que afetem os fluxos de capital. Para isso, os emergentes precisam construir seus amortecedores de proteção, coisa que o Brasil já fez.

A situação da economia global é benigna e o crescimento está em todos os cantos do mundo, disse Ilan, ressaltando que o Brasil também voltou a crescer, mas há riscos para o cenário internacional. "Não houve ainda sobressaltos para mudar esse cenário benigno no mundo."

Por conta da proximidade da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que começa amanhã e termina na quarta-feira, Ilan preferiu não comentar temas ligados à economia brasileira e à política monetária.

Colaboração. Sobre a reunião do G-20, Ilan disse que a postura do Brasil será colaborativa e o encontro, como é de praxe, deve ter discussões sobre os riscos futuros da economia. O aumento do protecionismo na economia mundial e o temor de uma guerra comercial devem ser um desses tópicos, disse Ilan. "Comércio não é algo que está na pauta explicitamente, talvez seja discutido como um risco global."

Outro tema é se o crescimento da economia mundial vai continuar no ritmo atual e também a normalização da política monetária nos países desenvolvidos. Os países do G-20 não podem ser complacentes e precisam monitorar este processo, disse o presidente do BC. No caso do comércio, o papel do G-20 é garantir que o papel do comércio mundial continue saudável e siga contribuindo para o crescimento global.

 

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