Marcelo Camargo|Agência Brasil
Marcelo Camargo|Agência Brasil

Ilan Goldfajn é apontado pela The Banker como o banqueiro central de 2018

Goldfajn está entre os presidentes que mais conseguiram estimular o crescimento e a estabilização econômica em seus países, segundo a publicação britânica

Célia Froufe, correspondente, O Estado de S.Paulo

10 Janeiro 2018 | 11h16

LONDRES - Já ovacionado no Brasil pelo seu trabalho à frente do Banco Central, o presidente da instituição, Ilan Goldfajn, foi escolhido agora pela revista britânica The Banker como o banqueiro central de 2018. O nome é destacado pela publicação entre os presidentes que mais conseguiram estimular o crescimento e a estabilização econômica em seus países.

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A revista, que faz parte das publicações do Financial Times (FT), cita que a maior economia da América Latina está "finalmente fora da recessão" e destaca que a inflação foi "domesticada" e agora gira abaixo do piso da meta do BC brasileiro - a reportagem cita a marca anualizada de 2,8% em novembro, inferior ao intervalo perseguido pela instituição de 3% a 6% para 2017 porque a reportagem foi preparada com antecedência. "Isso está longe de ser um sucesso fácil em um País que luta contra o crescimento da inflação de dois dígitos no passado recente", avaliou o semanário.

Em entrevista à The Banker concedida no fim do ano passado e publicada agora, Goldfajn salientou que 2017 foi um "ano memorável". Ele salientou que quando assumiu a autoridade monetária, em junho de 2016, a inflação estava em quase 11% e que as expectativas do mercado financeiro em relação à inflação começaram a cair antes mesmo da queda dos indicadores de preço na prática. A revista enfatizou o currículo do presidente, salientando que ele veio do maior banco privado da região, o Itaú Unibanco, e que já tinha atuado como diretor do BC de 2000 a 2003.

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"O curriculum vitae de Goldfajn é uma mistura interessante de instituições privadas e públicas, academia e organizações internacionais, desenvolvido após o seu doutorado em economia no Massachusetts Institute of Technology", elogia o veículo britânico, salientando que um perfil como este é importante para controlar a inflação, já que requer uma combinação de habilidade e confiança.

A The Banker também salienta que a forte desaceleração dos preços proporcionou ao BC reduzir a taxa básica de juros Selic para o recorde de baixa de 7%. Para este ano, a intenção do BC, de acordo com Goldfajn, é tentar reduzir os spreads bancários para que a política monetária possa atingir a economia de forma mais fluida. Da mesma forma, ele enfatizou a importância da nova referência para os financiamentos de longo prazo coordenados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que levará em conta taxas de mercado.

Também haverá esforços, segundo o presidente, para melhorar a concorrência no setor bancário, apoiar empresas e melhorar a educação financeira. Mas a principal prioridade para 2018 continuará a ser a redução da inflação. "É muito difícil perder peso quando você está em uma dieta, mas é muito mais difícil manter esse peso depois de o ter diminuído", ilustrou o presidente para a revista.

Goldfajn foi escolhido como o nome de 2018 globalmente, mas também representou as Américas. Na Europa, a The Banker apontou como destaque Jirí Rusnok, da República Tcheca. O representante da Ásia e Pacífico foi Ravi Menon, de Cingapura, enquanto o do Oriente Médio foi Rashed Mohammed Al Maraj (Bahrein). O banqueiro central do Quênia, Patrick Njoroge, foi o nomeado pela publicação entre os países da África.

Abaixo da meta . O FT salientou em sua edição online que a inflação brasileira terminou 2017 abaixo do piso da meta perseguida oficialmente. De acordo com dados do IBGE publicados mais cedo, o IPCA encerrou o ano em 2,95%. Apesar de ter ficado acima das previsões dos analistas, o FT enfatizou que continua sendo a menor taxa anual desde 1998 "em um País que tem lutado tradicionalmente contra preços desenfreados".

A elevação, destacou o site, se deu porque a taxa de dezembro (0,44%) foi o pico de 2017. "Enquanto a maior economia da América Latina está emergindo de sua pior recessão, com o crescimento econômico previsto pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) para duplicar para 1,5% em 2018, uma queda contínua da inflação, de 6,29% no final de 2016, permitiu que os formuladores de políticas no Banco Central diminuíssem as taxas para um recorde de 7% ao ano", comparou o FT na internet. 

 

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