NILTON FUKUDA|ESTADÃO
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Ilan Goldfajn terá 'autonomia técnica' no Banco Central

Na prática, significa que decisões da diretoria do BC não podem ser contestadas; todos os diretores do banco terão foro privilegiado

Murilo Rodrigues Alves e Adriana Fernandes, O Estado de S. Paulo

17 Maio 2016 | 09h49

BRASÍLIA - Para compensar a perda de status de ministro do presidente do Banco Central, o governo Michel Temer vai propor “autonomia técnica” da instituição, o que significa que as decisões da diretoria não poderão ser questionadas. Ilan Goldfajn, indicado ontem pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para assumir o comando do banco, e todos os diretores da instituição devem ter foro privilegiado.

As duas mudanças estarão em uma proposta de emenda à Constituição (PEC), que será enviada ao Congresso, afirmou ontem Meirelles ao confirmar o nome do economista-chefe do Itaú Unibanco. A independência do BC, com mandatos fixos para o comando, sempre defendida por Meirelles, não será proposta. Segundo o ministro, isso depende de análise “mais profunda e acordo de maior abrangência”. “Independência do BC não deve ser discutida de afogadilho”, afirmou. 

Para Meirelles, ex-presidente do BC no período 2003-2010, a “autonomia técnica” é um “ganho enorme”. Ele ponderou que, nos oito anos à frente da instituição, funcionou bem, mas que a formalização na Constituição é muito positiva. 

Reação. Ilan Goldfajn já era nome dado como certo pelo mercado, e a confirmação foi bem recebida pelos agentes financeiros. Catorze minutos após o anúncio, o atual presidente do BC, Alexandre Tombini, elogiou a escolha, em nota.

“Suas qualidades e sua formação o credenciam a uma bem-sucedida gestão frente à autoridade monetária brasileira”, disse Tombini. Meirelles revelou que Tombini deve permanecer no governo Temer, mas não no Banco Central. O mais provável é que assuma um cargo como representante do Brasil em um organismo internacional.

O nome de Goldfajn deve começar a ser analisado pelo Senado na semana que vem e é grande a expectativa se ele comandará a próxima reunião que decide o rumo da taxa básica de juros, marcada para 7 e 8 de junho. Em suas análises pelo Itaú Unibanco, o economista apontou que há espaço para o início do corte da Selic no segundo semestre deste ano. Os aliados de Temer contam com a queda dos juros básicos como condição para reanimar a economia e melhorar as contas públicas. 

Ao chegar a Brasília, Goldfajn não quis fazer comentário algum sobre nada, até mesmo em questões pessoais. Indagado se tem três filhos ou três filhas, respondeu: “Não posso comentar”. “É flamenguista?” “Não posso comentar, mas chegou perto”, disse, entre risos. Ilan reuniu-se por mais de uma hora com Meirelles (que no dia anterior esteve com Tombini) e depois com o presidente em exercício, Michel Temer. / COLABORARAM EDUARDO RODRIGUES  e RACHEL GAMARSKI

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