Igo Estrela/Estadão
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Ilan reforça tendência de redução moderada do ritmo de cortes da Selic

Em reunião com investidores em Nova York, o presidente do Banco Central afirma que ciclo de 'flexibilização' seguirá dependendo da atividade econômica e das projeções para a inflação

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

19 Setembro 2017 | 12h49

BRASÍLIA - O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, reforçou nesta terça-feira, 19, durante reunião com investidores em Nova York, nos EUA, que o Comitê de Política Monetária (Copom) considera "apropriada" a redução moderada do ritmo de corte da taxa básica de juros, a Selic, já para a sua próxima reunião, no fim de outubro. Para o colegiado, a sequência de cortes da Selic, hoje em 8,25% ao ano, faz parte de um ciclo que, gradualmente, chegará ao fim.

Ao mesmo tempo, Ilan pontuou que esse ciclo de flexibilização seguirá dependendo da atividade econômica, do balanço de riscos, de reavaliações sobre a extensão do ciclo e de projeções e expectativas para a inflação.

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Em sua apresentação, o presidente do BC afirmou que a evolução de reformas e ajustes na economia contribuem para a redução da taxa de juros estrutural - aquela que permite crescimento econômico sem gerar inflação. Segundo ele, medidas recentes adotadas na área de crédito contribuíram para o declínio da taxa estrutural.

Nos últimos meses, o governo e o BC apresentaram alterações numa linha específica - a do rotativo do cartão de crédito - e promoveram mudanças na dinâmica de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio da criação da Taxa de Longo Prazo (TLP).

Aos investidores, Ilan disse que, no nível atual, perto de 3%, a taxa de juros real (descontada a inflação) já promove estímulo para a economia. "Há duas possibilidades à frente: a taxa de juros estrutural pode diminuir ao longo do tempo ou a taxa de juros (Selic) pode aumentar", afirmou. "Ou, ainda, pode haver uma combinação de ambas as possibilidades."

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Inflação. De acordo com o presidente do BC, "as condições econômicas prescrevem uma política monetária acomodatícia, isto é, com taxas de juros abaixo do nível estrutural". Ele também repetiu que a convergência da inflação à meta de 4,5% no horizonte relevante, que inclui 2018, é compatível com um processo de flexibilização.

"As projeções do Copom indicam que a inflação está sob controle", disse. O colegiado do Banco Central prevee a taxa de inflação perto de 3,3% para 2017 e próxima a 4,4% em 2018. Estes números levam em conta as projeções para câmbio e juros contidas no Relatório de Mercado Focus.

Para Ilan, a recuperação do investimento é o próximo passo para promover recuperação sustentável da economia. "Esforços do governo em infraestrutura e privatizações são importantes para recuperação dos investimentos", disse. 

Riscos de fora. O presidente do BC defendeu a ideia de que o Brasil está menos vulnerável a choques externos. Ele citou a posição mais "confortável" do balanço de pagamentos brasileiro, a balança comercial positiva, as reservas internacionais superiores a US$ 380 bilhões e a queda do Risco Brasil medido pelo indicador CDS (Credit Default Swap) - uma espécie de seguro contra calotes - para perto de 180 pontos.

Segundo Ilan, o cenário externo também é favorável, com recuperação da atividade sem que haja pressão financeira em países avançados. Em outro ponto da apresentação, ele citou a recuperação gradual da atividade no Brasil, que vem de um cenário com baixos índices de uso da capacidade e desemprego.

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