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Celso Ming
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Ilustríssimo senhor

Hoje, quase ninguém escreve cartas; aos poucos, elas foram substituídas pelas opções digitais e os correios do mundo inteiro tentam se adaptar à nova realidade

Celso Ming e Raquel Brandão, O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2018 | 17h00

Houve um tempo em que os ilustríssimos, as excelentíssimas ou os prezados estavam por aí. Eram o parente distante, o amigo em viagem, a secretária da empresa, o cliente do advogado, a gerente do banco, a quem cartas e cartões eram enviados. E havia, naturalmente, as tão efusivas cartas de amor.

Hoje, quase ninguém escreve cartas. Aos poucos, elas foram substituídas pelas opções digitais ou, simplesmente, por recados passados pelo WhatsApp, em vídeo, imagens ou áudio. E nos kilobytes não cabem tantas formalidades.

Ao longo de 2016, no Planeta Terra, a cada minuto, 29 milhões de mensagens eram disparadas no WhatsApp; 3,3 milhões de posts (textos, fotos ou vídeos), publicados no Facebook; 448,8 mil tweets inundavam o Twitter; e 149,5 mil e-mails saíam e entravam nas caixas de entrada dos internautas.

O levantamento é da empresa de marketing britânica Smart Insight. Este é o fim trágico dos correios? Ainda não. Porém, o impacto está aí. Os serviços postais perderam por ano, em todo o mundo, 100 bilhões de cartas em comparação às enviadas há uma década, como mostra pesquisa da consultoria Accenture. 

No Brasil, os Correios – empresa estatal que desde a época da Coroa Portuguesa detém exclusividade no envio de cartas, telegramas e boletos – relatam que essa queda só começou a ser sentida nos últimos seis anos. Em 2017, foram entregues, por mês, cerca de 360 milhões de mensagens. E como não foram só as postagens pessoais que passaram às plataformas digitais, a redução também é percebida no volume de remessas de conteúdo de natureza econômica, como contas de telefone ou de luz e boletos de cobrança do banco. De 2014 para 2016, envios do tipo encolheram 10% ao ano.

Parte da estratégia de sobrevivência da estatal brasileira e dos outros serviços postais pelo mundo é digitalizar o processo de envio deste meio de mensagem tão analógico que é o papel. Aqui, os Correios apontam que têm investido na automatização da logística de distribuição das mensagens. 

Lá fora, a pesquisa da Accenture também identificou outras estratégias. Uma delas também usa a tecnologia. As companhias de correio oferecem serviços de marketing, em que identificam por meio de bancos de dados e georreferência, consumidores que se enquadram no público-alvo de cada empresa para enviar publicidade personalizada. É o que faz a Royal Mail, do Reino Unido. A outra estratégia tem sido testar a elasticidade dos preços, a fim de conferir até que valor o cliente está disposto a pagar para enviar cartas. Só na Europa, as tarifas subiram 11% ao ano, de 2013 a 2016. 

Há, no entanto, uma mudança gradual de atividade. De olho nos transporte de encomendas, as empresas surfam na onda do comércio eletrônico, que cresceu mundialmente 20% em dez anos. Prova disso, é que, de 2006 a 2016, o volume de entregas feitas pelas empresas postais foi 62,43% maior. 

Aqui, os Correios devem investir US$ 108 milhões. Até 2020, preveem ter em funcionamento 19 conjuntos de máquinas e robôs que conseguem identificar e separar para envio 220 mil pacotes por hora. Além disso, os carteiros receberão 58,2 mil smartphones para o registro de entregas; a linha terrestre de transporte deve ser ampliada em 30%; e, em parceria com a companhia aérea Azul, foi criada transportadora de cargas, que deve começar a atuar no primeiro semestre de 2018. 

Mas, ainda que crescente, a entrega de encomendas via Sedex ou PAC não é garantia de tarefa fácil. No Brasil e no mundo, as companhias postais concorrem com empresas especializadas. De 2013 a 2015, a grande oferta do serviço no mundo derrubou as tarifas por pacote em 0,5%. No Brasil, os Correios seguem líderes do setor, mas números da Ebit, consultoria de comércio eletrônico, mostram que a estatal, que entregava metade das encomendas do e-commerce até há pouco mais de dois anos, hoje entrega apenas 40%. Por aqui, é preciso encarar a concorrência, a estrutura viária precária e até a violência urbana. Um desafio e tanto.

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