Imagem sóbria e nome de guerra são armas do vendedor

'O corretor é uma marca', diz Ney, que adotou apelido para atender clientes como Weber, que, na verdade, se chama José Bruno

Ivan Martínez, Especial para O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2014 | 02h15

Apesar das altas temperaturas que ainda dominam o verão paulistano, e até incluíram o uso de bermudas em escritórios, 40 homens e mulheres contrariam a casualidade tropical. Eles exibem seus ternos escuros e gravatas. Elas, vestidos sóbrios. Em pleno final de semana. São consultores de imóveis que fazem plantão em um empreendimento de alto padrão no Itaim, da incorporadora Huma.

O supervisor de vendas Sidney Crocco, que há 12 anos trabalha na imobiliária Lopes, revela que há um dress code específico na empresa. Homens vestem ternos escuros e camisas claras. Mulheres recebem orientação sobre os vestidos adequados e de possibilidades de cores, caso usem calça social. "O corretor é uma marca", diz ele.

Sidney, aliás, não é conhecido assim há muito tempo. Seu nome de guerra é Ney. Com mais de 30 anos na profissão, incorporou o apelido até em sua casa. "Quando alguém me liga e chama de Sidney, sei que não é boa coisa", brinca.

Cada corretor ganha um nome dentro da empresa. O objetivo é evitar que um cliente se confunda e esqueça com quem conversou. Atuando na área há cinco meses, Omar Nakabayashi Guevara, de 26 anos, tem um nome curioso: Adidas. "Acho que foi pela minha ascendência oriental, apesar de a marca ser alemã", comenta, ao exibir seu cartão pessoal que imita o logo da multinacional.

Sorte. Assim que chegam ao estande de lançamento, os corretores participam de um sorteio que define a ordem de atendimento. Quem der sorte, será o primeiro a receber um cliente que visitar o local. Os que entram sem conhecer corretores não são os maiores responsáveis pelas vendas. "70% são da carteira de clientes", diz Ney. Mas, quando o potencial comprador chega ao local com o nome de um corretor que o atendeu, é este quem tem a prioridade, independentemente do sorteio.

Durante a semana, os corretores "fazem prospecção": ligam para clientes e convidam para conhecer o empreendimento. Esse foi o caso da designer de joias Virgínia Xavier. "Já comprei um imóvel comercial com 'seu' Weber. Aí, ele me ligou e convidou para conhecer este residencial", conta. Para ela, a confiança no corretor é essencial: "Qualquer dúvida, é para quem eu ligo. Não teria comprado se não fosse por ele".

Fila. Weber, ou melhor, José Bruno, garante que oferece um atendimento diferenciado. "Não podemos ser vendedor de uma só venda", afirma o corretor. "Qualquer problema, sou o elo entre o cliente e o canal de comunicação da construtora." Em seguida, ele se apressa para atender um casal que acaba de chegar ao local: "É a minha vez na fila".

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