Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Grupo de ex-dono da Wizard pode virar sócio da IMC, do Frango Assado

Proprietária de redes como Pizza Hut, KFC e Taco Bell no País, holding Sforza negocia fatia minoritária da IMC, que encerrou no fim do ano uma longa negociação para a fusão com a rival Sapore

Fernando Scheller e Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2019 | 15h12
Atualizado 10 de abril de 2019 | 10h45

A holding IMC (International Meal Company), dona das redes Frango Assado e Viena, está em negociações com a família Wizard para unir suas marcas de restaurantes. As conversas ganharam impulso no fim do ano passado, quando a IMC encerrou de vez as tentativas de se unir com a Sapore, especializada em restaurantes corporativos.

Dona da holding Sforza, a família Wizard é detentora de franquias da Pizza Hut, Taco Bell e KFC no Brasil. A Sforza foi criada em 2013 após a venda da rede de idiomas Wizard, por R$ 1,7 bilhão e permitiu a diversificação do grupo. Parte dos recursos foram destinados a operações de alimentação, com franquias de marcas norte-americanas renomadas.

O Estado apurou que o empresário Carlos Wizard Martins e seus herdeiros, Charles e Lincoln, deverão ser sócios minoritários, com cerca de 15% de participação da nova IMC. Ainda em fase de costura, a operação prevê troca de ações entre as holdings. A IMC também vai emitir novas ações para a Sforza concretizar o negócio, segundo fontes a par do assunto.

Essa emissão deve diluir ou ser “porta de saída” para outros sócios. Entre os maiores acionistas da IMC está o fundo de private equity (que compra participações em empresas) Advent, com cerca de 10% do negócio. O gestor do fundo, Patrice Etlin, que é o presidente do conselho de administração da companhia de alimentação, deve deixar o posto no colegiado nas próximas semanas.

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O movimento pode unificar duas holdings relevantes do setor de alimentação, que têm pizzarias, restaurantes, fast-food e lojas de conveniência em postos de gasolina. Listada na Bolsa, o valor de mercado da IMC é de pouco mais de R$ 1,1 bilhão. Com as notícias sobre o negócio, as ações da companhia fecharam cotadas a R$ 6,87 ontem, com valorização de 3%. A informação sobre as negociações foi primeiro divulgada pelo site Brazil Journal.

Para a Sforza, a vantagem será a diversificação de seu portfólio em um momento no qual tenta acelerar: o grupo prevê abrir mais de 170 unidades de suas três marcas neste ano. A Taco Bell e a KFC devem dobrar de tamanho até dezembro. A empresa está justamente em um momento de angariar franqueados para as marcas que administra, após um período inicial de abertura de lojas próprias.

Ao “trocar” a Sapore pela holding de Wizard Martins, a IMC mudou a lógica da busca de um parceiro. Enquanto a Sapore é forte no segmento de restaurantes corporativos, a Sforza trabalha na área de varejo. Nesse sentido, um especialista em restaurantes, que pediu para não ser identificado, diz que a experiência da família Martins pode ser bem-vinda. Isso porque as recentes tentativas da IMC de trazer ao País marcas como Red Lobster, Olive Garden e Carl’s Jr. não deram certo. Existe também a avaliação de que a evolução do portfólio da IMC vem sendo muito discreta.

Para o consultor Sérgio Molinari, fundador da Food Consulting, a união de diversas marcas dentro de um só grupo é uma tendência global. Nesse sentido, tanto a IMC quanto a Sforza podem sair ganhando: ao negociar espaço em praças de alimentação de shopping centers para várias marcas, por exemplo, a empresa tende a obter condições melhores. “Além disso, o consumidor está cada vez mais plural. Ele quer variedade, quer comer comida japonesa em um dia e hambúrguer no outro”, diz Molinari.

O portfólio das duas empresas, unido, também faz sentido porque cobre diferentes “momentos” do consumidor, segundo ele: “É uma lógica muito positiva”, afirma. “Você encontra o cliente em vários momentos: no shopping, na rua, na estrada e no aeroporto, com um portfólio diversificado.”

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