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Imigrante sofre mais com desemprego no exterior

Dentre os desamparados pela turbulência econômica, imigrantes em situação ilegal estão na linha de frente, afirmam instituições públicas e ativistas dos direitos humanos da União Europeia. O efeito mais visível da crise e do preconceito é o desemprego, que entre estrangeiros é 50% superior à média nacional em países como a Espanha. No Reino Unido, desde a falência do banco americano Lehman Brothers, a chegada de imigrantes caiu 50%.

ANDREI NETTO E JAMIL CHADE, Agencia Estado

29 de março de 2009 | 10h31

De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), até 5 milhões de pessoas poderão perder seus postos de trabalho na Europa em 2009. Destes, estrangeiros são os primeiros afetados, ao lado de jovens e idosos, afirmam especialistas. ?Os primeiros a serem demitidos estão sendo os imigrantes irregulares?, atesta José Salazar, economista da OIT.

Jean-Christophe Dumont, economista da Direção de Trabalho da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), reforça a constatação. Embora as estatísticas sobre o nível de desemprego de estrangeiros no segundo semestre de 2008 - quando a crise se intensificou - ainda não sejam conhecidas em toda a Europa, os primeiros números confirmam a tendência.

O desemprego se concentra mais entre estrangeiros com vistos temporários de trabalho. Esses trabalhadores obtinham vagas em mercados mais sensíveis - como a construção civil -, têm menos qualificação, contratos mais precários e menos tempo de serviço. O coquetel de fragilidades, somado à hostilidade crescente da opinião pública, leva ao desemprego, diz Dumont.

O refluxo ocorre porque em países como a Irlanda e a Espanha o desemprego entre estrangeiros é mais de 50% maior do que a média nacional. Nas principais cidades espanholas, o desemprego entre imigrantes - marroquinos e latino-americanos em especial - chega a 17%, ante 10,5% entre espanhóis.

A situação obrigou o governo a tomar medidas drásticas contra a imigração ilegal. Ao mesmo tempo em que estimula o retorno voluntário, o primeiro-ministro José Luis Zapatero já reduziu as cotas para concessão de vistos em 2009 e vem apertando o cerco policial. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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