Imigrantes mandaram menos dinheiro ao Brasil em 2007, revel BI

Os imigrantes mandaram menosdinheiro ao Brasil o ano passado que em anos anteriores, emparte por uma melhor situação econômica interna e umapronunciada desaceleração do dólar que desestimulou os enviosde dinheiro ao País, disse o Banco Interamericano deDesenvolvimento (BID) na terça-feira. Em seu novo relatório anual sobre remessas, o banco apontouque os imigrantes brasileiros mandaram um volume 4 por centomenor ao País em 2007, de 7,1 bilhões de dólares, contra poucomais de 7,3 bilhões no ano anterior. Em geral, essas remessas ajudam as famílias dos imigrantesa comprar comidas, roupa, remédios e pagar aluguel, disse obanco. A queda aconteceu só no Brasil, e não em outros países daregião, porque o forte crescimento da economia brasileira estádesestimulando a imigração, ao criar mais oportunidades detrabalho internamente, e a queda do dólar está desestimulandoos imigrantes a mandar dinheiro dos Estados Unidos para o País,segundo o BID. Isso é uma consequência direta de um dólar que vale cadavez menos frente ao real, que se apreciou 24 por cento contra amoeda americana nos últimos 12 meses, apontou o banco. "A notícia do declínio (nas remessas) é uma boa notíciapara o Brasil", disse Donald F. Terry, gerente do FOMIN, ofundo do banco multilateral que prepara o estudo sobre remessasanualmente desde 2000. Ele disse não ter dados sobre quantos imigrantesbrasileiros, estimados em mais de 1 milhão de pessoas nosEstados Unidos, estão decidindo deixar o país e voltar aoBrasil, mas indicou que em seu Estado, Massachusetts, a queda ésensível aos olhos -- do salão de cabeleireiro que tem menosmovimento a agência de viagens que só está vendendo passagensde volta ao Brasil. Os Estados Unidos continuam sendo a principal fonte deremessas ao Brasil, com pouco mais de 4 bilhões de dólaresenviados ao ano, seguidos pelo Japão, com mais de 2 bilhões, ede Portugal, com entre 500 e 700 milhões de dólares, disseTerry. Em geral os imigrantes mandaram 66,5 bilhões de dólares domundo todo para a América Latina em 2007, 7 por cento a maisque no ano anterior, o que demonstra uma desaceleração no ritmode crescimento do envio de remessas, que costumava aumentaracima dos dois dígitos anualmente. Em 2006, o envio de remessas cresceu 16 por cento, parachegar a 62,3 bilhões de dólares, e esse crescimento foi aindamaior, de 25 por cento, em 2005, indicou o banco. No México, principal receptor de remessas da região, ocrescimento no ano passado foi de apenas 1 por cento, parachegar a quase 24 bilhões de dólares, já que os imigrantes seviram afetados por uma desaceleração econômica combinada comleis antiimigração mais duras nos Estados Unidos. Apesar disso, as remessas cresceram 12 por cento para aAmérica Central, superando 12,4 bilhões de dólares, e atingiramo mesmo valor também na região andina. Em países como Equador e Bolívia, os imigrantes estãooptando cada vez mais pela Europa como destino, principalmentea Espanha, indicou o banco. Os imigrantes buscam ali um ambiente mais receptivo aimigração do que os Estados Unidos e uma moeda forte como oeuro, que permite fazer o dinheiro render mais quando enviadopara casa, disse Terry. "É uma decisão racional", disse o executivo. "Eles estãoindo para onde conseguem ganhar mais dinheiro", acrescentou. (Reportagem de Adriana Garcia, Editada por Maria Teresa deSouza)

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