Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Imigrantes sentem retração

O haitiano Vito Pharius está no Brasil há um ano. Deixou a economia mais pobre da América Latina, arrasada pelo terremoto de 2010, com o sonho de construir uma vida melhor. Aos 22 anos, ele tem sentido diretamente o mau momento da economia brasileira. Desde que desembarcou no País, só fez bicos. Sem emprego, não conseguiu pagar o aluguel em Itaquera, na zona de leste de São Paulo, e agora mora de favor com um amigo. “Com paciência, tudo vai dar certo.”

O Estado de S. Paulo

09 de abril de 2016 | 22h00

Para muitos haitianos, o terremoto de 2010 representou um agravamento das condições de vida – no dia do tremor, Vito não reconhecia mais a rua onde morava e só conseguiu encontrar a família três dias depois. Ele só conseguiu um emprego precário numa rodoviária. Nem sempre recebia o salário. “Eu só quero voltar para o Haiti para passear. De certa forma, para mim, o Brasil não está ruim”, diz. Lá deixou a mãe, o pai e a irmã.

No início da década, no período em que o Brasil emergia como uma nova potência e se orgulhava da situação de pleno emprego, milhares de imigrantes fizeram a trajetória de Vito. Na época, o risco de uma deterioração do mercado de trabalho parecia distante. 

“Em 2014, estávamos vivendo uma fase bem interessante. Às vezes, fechávamos os meses com 600 vagas. Hoje, a realidade é bem diferente: no primeiro trimestre, 153 pessoas foram contratadas”, diz Ana Paula Caffeu, coordenadora do Eixo Trabalho, responsável pela mediação entre os imigrantes e empresas que buscam mão de obra.

Os números oficiais também mostram que a economia brasileira ganhou ares de decadência para os imigrantes. Segundo dados do Ministério do Trabalho e Previdência Social, em 2015, foram concedidas 36.868 autorizações para trabalhadores estrangeiros. Em 2014, foram 46.740. 

Com a crise brasileira, já há relatos de imigrantes que desistiram do Brasil e partiram para outros países, como o Chile.


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